The offensive of Diário do Sousa against the ferryPhoto by Policarpo Brito on Pexels
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The offensive of Diário do Sousa against the ferry

Madeira Opina30 August 2026 at 12:34

The article harshly criticizes the coverage by Diário de Notícias of the ferry connecting the mainland to Madeira, accusing the morning paper of systematically defending the interests of its owner, Grupo Sousa. The author recalls that the newspaper had previously supported similar positions in the past, such as in the case of the "parliamentary inquiry into invented works," and warns that all those who appear in the newspaper may one day be discarded when they cease to be useful to the group's economic interests. The front page of DN featured an alarmist headline, "BEST SCENARIO FOR THE FERRY WOULD HAVE A DEFICIT OF 18.59 MILLION," attempting to convince readers that the maritime operation is unviable.

The article reveals a serious methodological flaw in the study published by DN: only one shipowner was consulted, precisely Grupo Sousa, who is simultaneously the newspaper's owner and holder of the monopoly on cargo transport to the Region. Other international operators identified in the report, such as the ETE Group, Grimaldi, Baleària, and FRS Portugal, simply "did not respond" or "contact was not possible," according to the report itself. The author questions how a study that aims to analyze competition and maritime costs can be based exclusively on the operator that holds the monopoly.

The editorial by the director, Ricardo Miguel Oliveira, under the title "Utopia has a price," classifies the debate about the ferry as a "succession of comfortable versions" and concludes that the ferry is an unnecessary expense. To give the appearance of pluralism, the newspaper opened a section to three guests, one from PS, one from Iniciativa Liberal, and the president of the regional Order of Economists, but the author argues that the induced questions and editorial framing ensure that these voices end up legitimizing the owner group's narrative, just like candidates in a campaign photograph.

The author concludes that the Madeiran political and social system continues to participate "docilely" in Grupo Sousa's media ecosystem, feeding its own vanity of appearing in the morning paper's pages.

H

oje lembrei-me do Sérgio Marques a passar capas do Diário de Notícias naquele inquérito parlamentar sobre as obras inventadas. Hoje tivemos mais uma vez a postura completamente sectária do Diário de Notícias a defender a posição do seu proprietário. Serve de exemplo a muitos que lhe dão força com a sua presença no matutino para o que lhes espera quando por alguma razão, em eleições ou outros enfrentamentos já não interessarem ou haver um "valor" maior a defender como a subsistência do Diário de Notícias

Fica claro como o DN, em contactos a cada um, compõe depois a participação de muitos na narrativa do senhor Sousa. É assim que se manipula, parecem as fotografias de campanha eleitoral em que o candidato encosta, o fotógrafo tira a foto e todos passam a ser apoiantes. Andam todos a ser levados pela certa com a sua vaidade, aparecem no sistema e participam nele.

Na primeira página, o destaque é intencionalmente alarmista, «MELHOR CENÁRIO DO FERRY TERIA DÉFICE DE 18,59 MILHÕES». O leitor que apenas passa os olhos pela banca fica imediatamente programado com o dogma do costume, o ferry é insustentável, inviável e uma loucura financeira. O Diário sabe que não é lido? Ou sabe do vício de tantos madeirenses?

Ao folhear para as páginas centrais (páginas 6 e 7), a manchete é ainda mais perentória, «APENAS 32% EMBARCAM», acompanhado por uma citação em destaque gigantesco (quote box) destinada a selar o veredicto político

A ausência de uma verdadeira falha de mercado (...) torna questionável a própria justificação da imposição de uma obrigação de serviço público.

Trata-se do desmantelamento metódico do próprio conceito de continuidade territorial. Quando se fala de transporte rodoviário, aéreo ou marítimo para regiões insulares, o debate num Estado de Direito soberano baseia-se no direito de mobilidade dos cidadãos e na quebra de monopólios. Mas para a linha editorial do matutino, a coesão territorial passa a ser tratada como um mero "capricho dispendioso".

O detalhe escondido, a auscultação a um único armador, por vontade dos autores do estudo ou pelo descrédito da Região e das entidades com longos anos de novela de ferry que acaba sendo sempre para matá-lo e manter intocável o monopólio do senhor Sousa, proprietário do Diário de Notícias.

No meio de um mar de números negativos, tabelas e gráficos desenhados para desacreditar a operação marítima, surge um pequeno caixa de texto na página 6, assinado por João F. Pestana, que desmascara todo o aparato, «RELATÓRIO SÓ CONSEGUIU OUVIR UM ARMADOR». Não pensou mais além?

O Grupo Sousa foi o único armador ouvido no estudo, a 25 de Março. O relatório identifica 4 outros armadores — Grupo ETE, Grimaldi, Baleària e FRS Portugal — para auscultação, mas diz que 'não se obteve resposta ou não foi possível o contacto'.

Este pormenor revela a fragilidade metodológica do estudo e a parcialidade da cobertura. Num trabalho que se pretende rigoroso sobre concorrência e custos marítimos, o único operador privado auscultado foi precisamente o grupo detentor do monopólio do transporte de mercadorias para a Região, e que é, simultaneamente, o proprietário do próprio Diário de Notícias. Todos os outros potenciais concorrentes internacionais simplesmente "não responderam" ou "não foi possível o contacto".

Apesar desta falha gravíssima, o jornal não questiona a validade do estudo, pelo contrário, pega no documento e transforma-o na sua verdade absoluta. Também não lhe importa destacar do mesmo descrédito de que enferma.

O "Editorial-Sentença" e a ilusão de pluralismo vem em seguida. A opinião do diretor, Ricardo Miguel Oliveira, sob o título «A utopia tem um preço», encarrega-se de ditar a sentença política. O texto desvaloriza anos de debate sobre o ferry, classificando-o como uma "sucessão de versões confortáveis" e concluindo que "o ferry não é a solução que falta no mercado, é a despesa que importa decidir antes de assumir". Ninguém vista toda a Europa para ver a enormidade das afirmações fixas ao senhor Sousa?

Para conferir uma patina de "isenção" e pluralismo, o jornal abre a página 28 (seção Observatório) a três convidados: um deputado do PS (Carlos Pereira), um da Iniciativa Liberal (Gonçalo Maia Camelo) e o presidente da Ordem dos Economistas regional (Paulo Pereira). É o clássico expediente de incluir vozes divergentes, estrategicamente enquadradas por perguntas induzidas ("Quais os maiores riscos para a sustentabilidade?"), garantindo que as individualidades locais continuem a responder à chamada do jornal, alimentando a sua própria vaidade de figurar nas páginas do matutino, enquanto ajudam involuntariamente a legitimar a moldura (the framing) traçada pelo grupo proprietário. Quantos deles sabem que estão numa emboscada que é o conjunto da edição do DN Madeira ou da pergunta inquinada para condicionar?

Tal como as tradicionais fotografias de campanha, em que o candidato encosta para a foto e todos passam automaticamente a figurantes do enredo, o sistema político e social madeirense continua a cair no mesmo abraço do urso, participa docilmente no ecossistema mediático que, no dia em que os interesses do poder económico assim o exigirem, não hesitará em descartar qualquer um em nome de um "valor maior", a manutenção das suas rendas e monopólios.

O ferry é rentável até mesmo com concorrência, há soluções já experimentadas que condicionaram, limitaram e expulsaram. Tudo começou com o interesse de um privado e agora estamos nesta conversa parva. Entretanto o senhor Sousa comprou mais 2 transitário e a autoridade da concorrência nada vê, até parece as "autoridades" do estudo.

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