Air pollution may cause about 4,200 premature deaths per year in PortugalPhoto by SD-Pictures on Pexels
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Air pollution may cause about 4,200 premature deaths per year in Portugal

Postal do Algarve7 September 2026 at 08:10

The Zero association and the Portuguese Council for Health and Environment warned that air pollution in Portugal may cause approximately 4,200 premature deaths per year, with nitrogen dioxide (NO₂) remaining as a critical pollutant in urban areas, mainly due to road traffic. In 2024, stations such as Avenida da Liberdade in Lisbon and Frei Bartolomeu Mártires in Braga exceeded the annual limit value of 40 μg/m³, and seven of the 16 traffic stations exceeded 20 μg/m³, above the limit set in the new European Directive for 2030. The organizations advocate for the urgency of measures to reduce traffic, restrict polluting vehicles, electrify transport, and strengthen the fine particle monitoring network, warning that Portugal has less than four years to meet the new, more stringent limit values.

O dióxido de azoto (NO₂), um poluente associado sobretudo aos veículos com motor de combustão, “continua a ser um poluente crítico nas zonas urbanas”, alertaram hoje duas organizações de defesa do ambiente, que sublinham que o trânsito permanece “uma das principais fontes de poluição”.

A associação Zero e o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) assinalaram, no Dia Internacional do Ar Limpo, que “os dados oficiais definitivos mais recentes, referentes a 2024 e disponíveis no sistema de informação QualAr, da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente, confirmam que o dióxido de azoto (NO₂) continua a ser um poluente crítico nas zonas urbanas”.

As duas organizações alertam para os efeitos deste poluente na saúde, referindo que “Irrita as vias respiratórias, agrava doenças como a asma e está associado a maior risco de problemas respiratórios e cardiovasculares”, e destacam os valores registados em 2024 nas estações “da Avenida da Liberdade, em Lisboa, e de Frei Bartolomeu Mártires, em Braga, onde a concentração média anual de NO₂ voltou a ultrapassar o valor-limite atual de 40 μg/m³[micrograma por metro cúbico]”.

Em 2025, de acordo com dados ainda provisórios, “a Avenida da Liberdade registou 40,3 μg/m³, cumprindo o limite apenas por efeito de arredondamento”, resultado que as organizações atribuem “provavelmente a condições meteorológicas mais favoráveis, à dispersão de poluentes e à renovação do parque automóvel, e não a medidas de política pública especificamente destinadas a melhorar a qualidade do ar”.

Tráfego rodoviário continua no centro do problema

Em 2024, “verifica-se que sete das 16 estações de tráfego (43,8%) ultrapassaram os 20 μg/m³ e 15 das 16 (93,8%) ultrapassaram os 10 μg/m³ em 2024”.

Estes números estão acima do valor-limite anual para 2030 previsto na Diretiva (UE) 2024/2881 (20 μg/m³) e do valor de referência anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (10 μg/m³), sendo que as estações que registaram valores acima de 20 μg/m³ “eram estações de tráfego”.

“O transporte rodoviário mantém-se como uma das principais fontes de poluição atmosférica em meio urbano, contribuindo para níveis elevados de dióxido de azoto, partículas finas e partículas inaláveis, bem como para a formação de ozono troposférico, o que torna incontornável a intervenção neste setor”, apontam.

As duas organizações manifestam ainda preocupação com o reforço da rede de monitorização, já que “a nível nacional, são poucas as estações que monitorizam as partículas finas (PM2,5), o que limita seriamente a capacidade de avaliar se a população portuguesa, em particular a que vive em meios urbanos, está efetivamente exposta a concentrações superiores às recomendadas”.

Portugal terá de cumprir limites mais exigentes até 2030

Esta lacuna deverá ser suprida com a transposição da Diretiva europeia, que “tem de ser transposta para a legislação nacional até 11 de dezembro e, até 2030, Portugal terá de cumprir valores-limite para diversos poluentes muito mais exigentes do que os atuais”.

“Com menos de quatro anos até 2030, o Governo e as autarquias têm uma janela cada vez mais estreita para inverter esta trajetória”, alertam as organizações para quem é “urgente aplicar medidas de redução do tráfego e de restrição aos veículos mais poluentes”.

Defendem ainda que deve ser promovida a eletrificação dos veículos pesados e da logística e complementar estas ações com soluções baseadas na natureza, como a criação e qualificação de espaços verdes urbanos, corredores arborizados e outras infraestruturas verdes, contribuindo para cidades mais resilientes e para uma menor exposição da população.

Pedem ainda o envolvimento da sociedade civil tal como já aconteceu em Espanha, França, Alemanha e Suécia, pois “em Portugal, este passo continua por dar e o tempo disponível esgota-se rapidamente”.

Poluição do ar associada a milhares de mortes prematuras

Estima-se que em Portugal “a poluição do ar cause cerca de 4.200 mortes prematuras por ano — o equivalente a 12 óbitos por dia —, sendo a grande maioria evitável caso fossem cumpridos os valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde”.

“A poluição do ar já é considerada o terceiro maior fator de risco para a mortalidade global, logo depois da poluição em geral e do tabagismo”, referem.

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