Ramiro retired with 43 years of contributions: "They penalized me 24% on my pension, that's 53,900 euros over 11 years"Photo by Kampus Production on Pexels
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Ramiro retired with 43 years of contributions: "They penalized me 24% on my pension, that's 53,900 euros over 11 years"

Postal do Algarve30 August 2026 at 19:30

Ramiro de Heras retired in Spain with 43 years of contributions, due to a cause not attributable to his will, but was penalized with a 24% reduction on his pension. According to his calculations, he will stop receiving approximately 53,900 euros over 11 years, an amount he describes as a "life sentence," since the reduction accompanies the pension until the end and does not disappear when reaching the ordinary retirement age.

Spanish legislation provides for reduction coefficients when the pension begins before the legal retirement age, which in 2026 is 65 for those with at least 38 years and three months of contributions. Having more than 40 years of contributions does not eliminate the cut, although a longer contributory career may reduce the percentage of the penalty. An anticipation of 48 months corresponds to a reduction of 26% for those with between 41 and 44 and a half years of contributions, or 24% for those with at least 44 and a half years.

In November 2025, the Congress of Deputies approved a motion to allow early retirement without penalties for those with at least 40 years of contributions, with 180 votes in favor and 170 abstentions. However, the initiative had no legislative force. In June 2026, a proposal by Podemos to change the law was rejected by the PSOE and the People's Party, maintaining the reduction coefficient system.

In Portugal, a career of more than 40 years also does not automatically eliminate the reductions. However, there is a specific regime for very long careers that allows retirement from age 60 without early retirement cuts for those with at least 48 civil years of contributions or, alternatively, 46 years having started contributing before age 17. The Spanish association ASJUBI40 has been publishing simulations showing the accumulated impact of these reductions, with differences that can exceed 50,000 euros in certain scenarios.

Ter mais de 40 anos de descontos não garante, em Espanha, que um trabalhador possa reformar-se antecipadamente sem perder parte da pensão. Ramiro de Heras afirma, segundo o site espanhol Noticias Trabajo, ter-se reformado por causa não imputável à sua vontade depois de acumular 43 anos de contribuições e diz que lhe foi aplicada uma redução de 24%. Segundo os seus cálculos, deixou de receber cerca de 53.900 euros ao longo de 11 anos.

Mais de 40 anos de descontos não eliminam o corte

A legislação espanhola prevê coeficientes redutores quando a pensão começa antes da idade ordinária da reforma. Em 2026, essa idade é de 65 anos para quem tenha pelo menos 38 anos e três meses de contribuições e de 66 anos e dez meses para os restantes trabalhadores.

A reforma antecipada por causa não imputável ao trabalhador pode começar até quatro anos antes, desde que sejam cumpridos requisitos como ter pelo menos 33 anos de contribuições, estar inscrito como candidato a emprego durante seis meses e ter perdido o trabalho por uma das causas previstas na lei. A modalidade voluntária permite antecipar até dois anos e exige, em regra, pelo menos 35 anos de contribuições.

Em ambos os casos, o coeficiente depende do número de meses de antecipação e da duração da carreira contributiva. Ter os anos necessários para atingir 100% da percentagem aplicável à base reguladora não significa receber a pensão sem cortes se o beneficiário decidir iniciá-la antes da idade legal.

Pelas regras atualmente em vigor, uma antecipação de 48 meses corresponde a uma redução de 26% para quem tenha entre 41 anos e seis meses e 44 anos e seis meses de contribuições. O corte de 24% aplica-se, nesse mesmo cenário, a quem tenha pelo menos 44 anos e seis meses.

Estes valores atuais não permitem, contudo, reconstruir automaticamente o caso de Ramiro. O pensionista afirma que a redução já se prolonga há 11 anos, pelo que a pensão terá sido calculada ao abrigo das regras então aplicáveis. A percentagem concreta dependeria da data exata da reforma, dos meses de antecipação e do período contributivo reconhecido pelo INSS.

Redução acompanha a pensão

Quando um coeficiente redutor é aplicado, o efeito não desaparece automaticamente no momento em que o pensionista atinge a idade ordinária da reforma. A redução incide sobre o valor inicial da prestação, sendo depois esse montante sujeito às atualizações anuais.

É por isso que Ramiro descreve a situação como uma “prisão perpétua”. A expressão traduz a posição do reformado: quanto mais tempo receber a pensão, maior será a diferença acumulada em relação ao valor que calcula que receberia sem a redução.

Os 53.900 euros também não correspondem a uma indemnização reconhecida ou a uma dívida da Segurança Social espanhola. Trata-se de uma estimativa elaborada pelo próprio com base na diferença que atribui ao coeficiente aplicado.

Congresso aprovou uma moção, mas a lei não mudou

Em novembro de 2025, o Congresso dos Deputados aprovou uma moção que instava o Governo a promover alterações para permitir a reforma antecipada sem penalizações a quem tivesse pelo menos 40 anos de contribuições. A iniciativa, apresentada pelo Grupo Parlamentar Misto através de Ione Belarra, foi aprovada com 180 votos favoráveis e 170 abstenções. Não tinha, contudo, força legislativa e não alterou diretamente as regras das pensões.

Em junho de 2026, uma tentativa de introduzir essa alteração na lei foi rejeitada. A proposta foi apresentada pelo Podemos como uma emenda a um diploma sobre a integração de profissionais abrangidos por mutualidades no regime dos trabalhadores independentes. PSOE e Partido Popular votaram contra, o Vox absteve-se e os restantes grupos votaram a favor.

Mantém-se, por isso, o sistema de coeficientes redutores. A duração da carreira é considerada e pode diminuir a percentagem do corte, mas ultrapassar os 40 anos de contribuições não cria, por si só, uma isenção.

Associação apresenta cálculos próprios

A ASJUBI40 tem divulgado simulações para mostrar o impacto acumulado destas reduções. Num dos cenários, um trabalhador que se reforme involuntariamente aos 61 anos, com 44 anos e seis meses de contribuições e uma redução de 24%, receberia menos 20.316,34 euros do que outro que começasse a pensão aos 65 anos.

Noutro exemplo, uma reforma voluntária aos 63 anos, com 41 anos e cinco meses de contribuições e um corte de 19%, produziria uma diferença acumulada de 50.182,65 euros. Estes números resultam dos pressupostos escolhidos pela associação, incluindo valores iniciais, atualizações e um determinado período de comparação, não constituindo cálculos universais ou certificados pela Segurança Social espanhola.

E em Portugal?

Em Portugal, uma carreira superior a 40 anos também não elimina automaticamente as reduções. Em 2026, a idade normal de acesso à pensão de velhice é de 66 anos e nove meses. Por cada ano completo de contribuições além dos 40, essa referência baixa quatro meses, formando a chamada idade pessoal de reforma.

Quem pedir a pensão antes da idade pessoal fica, em regra, sujeito a uma redução de 0,5% por cada mês de antecipação. O Guia Prático da Pensão de Velhice dá o exemplo de uma pessoa com 45 anos de descontos que se reforma aos 64 anos: a idade pessoal seria de 65 anos e um mês e os 13 meses de antecipação resultariam num corte de 6,5%.

Portugal dispõe, contudo, de um regime específico para carreiras contributivas muito longas. A pensão pode ser iniciada a partir dos 60 anos sem redução por antecipação e sem fator de sustentabilidade por quem tenha pelo menos 48 anos civis de contribuições ou, em alternativa, 46 anos e tenha começado a descontar antes dos 17 anos.

Assim, também em Portugal, ter 40, 41, 42 ou 43 anos de descontos não garante automaticamente uma reforma antecipada sem cortes. O resultado depende da idade, do número de anos reconhecidos, do momento em que começou a carreira e do regime através do qual é pedida a pensão.

Leia também: “Tive muita sorte”: mulher com 40 anos de descontos reforma-se aos 62 anos com pensão de 2.700€ e diz estar “satisfeita”

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