The Instituto Inhotim, considered the world's largest open-air museum and one of Brazil's most important contemporary art collections, is located in the Vale do Paraopeba, 60 kilometers from Belo Horizonte, in Brumadinho. Opened in October 2006, the contemporary art museum and botanical garden surprised the some 40,000 inhabitants of the town and drew the attention of Brazil and the world. Recently, Inhotim was included in The New York Times' list of 52 places to visit in 2026, in 24th position.
The institute was founded by Bernardo Paz, a prominent figure in the Brazilian steel industry and avid art collector. The project came about after Bernardo Paz suffered a stroke at age 45, which led him to reflect on life and recall a garden that had impressed him in Acapulco in 1970. In the 1980s, he founded the Instituto Inhotim, which extends over 300,000 square meters with gardens designed by Roberto Burle Marx. Four years ago, he officially donated all the artworks and pavilions to the institution, after being acquitted of money laundering charges, having sold his mining company.
Bernardo Paz is now investing in a new museum neighboring Inhotim, at a cost exceeding one billion reais, equivalent to approximately 166.5 million euros. The project occupies 126 hectares of Atlantic Forest, where some 15,000 trees have already been planted, and envisions up to 40 permanent galleries of signature architecture integrated into the landscape. The first phase is scheduled for opening in September 2027 and will include spaces dedicated to Brazilian artists Anna Maria Maiolino and Sonia Gomes, and to American Michael Heizer, a representative of land art.
To lead the curatorial team, Bernardo Paz invited Paulo Miyada, former artistic director of the Instituto Tomie Ohtake, considered one of the most respected names in the Brazilian art scene. The new museum does not yet have an official name, but Bernardo Paz told The Art Newspaper that the project is taking root from his belief in the creative potential of unexpected encounters, aiming to create relationships between art, landscape, artists, and audiences from around the world.

Há obras que não pedem uma parede, mas pedem um mundo inteiro. Quando, em outubro de 2006, o improvável aconteceu, com a abertura do Inhotim – museu de arte contemporânea e jardim botânico, o espanto foi geral. Não será exagero dizer que aquele que é um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil, – e considerado o maior museu a céu aberto do mundo – gerou espanto junto dos menos de 40 mil habitantes de Brumadinho. Melhor. O espanto foi geral. Em todo o Brasil e no mundo mais atento a estas coisas.
Localizado no Vale do Paraopeba, a 60 km de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, entre as brumas que cobrem as montanhas, e que dão o nome à cidade, Inhotim não moveu montanhas, mas agitou as placas tectónicas da arte contemporânea. Na sua génese esteve Bernardo Paz, o colecionador brasileiro que gosta de escutar a terra. Inhotim devolveu a arte ao calor, à chuva, aos caprichos da luz e da vegetação, e passou a ser difícil recusar este convite para passear entre obras de arte ao ar livre.
Mas quem é Bernardo Paz? Figura proeminente na indústria siderúrgica brasileira e ávido colecionador de arte, fundou o Instituto Inhotim na década de 1980. Marco cultural que se espraia por 300 mil m2, com jardins magistrais idealizados por Roberto Burle Marx, este enclave na mata atlântica não surgiu de uma epifania, mas na sequência de um AVC, aos 45 anos. Excessos e um ritmo de vida, pessoal e profissional, frenético atiraram Bernardo Paz para uma cama. Teve tempo para pensar na vida e para recordar mil e um episódios. Como um jardim que lhe ficou na memória.
“Um momento crucial ocorreu em 1970, em Acapulco, onde encontrei um jardim hipnotizante com uma orquestra ao vivo e pessoas dançando que irradiavam felicidade. Isso me inspirou, me levando a pensar: ‘Quero criar algo assim’”, disse numa entrevista ao “Los Angeles Times”.
Bernardo Paz garante ser uma pessoa racional, não se move por paixões. Há quatro anos, formalizou a doação de todas as obras de arte e dos pavilhões do Instituto Inhotim para a própria instituição, deixando de ser o proprietário do acervo que idealizou ao longo de décadas. A decisão teve lugar após ser absolvido das acusações de lavagem de dinheiro que enfrentou no passado. Desde então, o empresário vendeu a sua empresa de mineração e centrou os seus investimentos na criação de um novo museu, pensado como uma evolução da experiência iniciada em Inhotim.
Um novo capítulo
O novo museu de arte envolve um investimento superior a mil milhões de reais (cerca de 166,5 milhões de euros) e ficará instalado numa área vizinha ao Inhotim. A ambição não perdeu impulso: três mil obras de arte irão dialogar com a envolvente. São 126 hectares dedicados a este projeto, rodeado da pulsante mata atlântica, onde já foram plantadas cerca de 15 mil árvores. Este imenso palco natural irá acolher até 40 galerias permanentes de arquitetura autoral, integradas na paisagem, numa lógica semelhante àquela que transformou Inhotim numa referência internacional.
A primeira etapa do museu tem inauguração prevista para setembro de 2027 e contará com espaços dedicados a três grandes nomes da arte contemporânea: as artistas brasileiras Anna Maria Maiolino e Sonia Gomes, e o norte-americano Michael Heizer, um dos principais representantes da land art. Além dos artistas que inauguram o projeto, Bernardo Paz já adquiriu trabalhos de Daniel Lannes, Marlene Almeida, Tatiana Blass, Vivian Caccuri e da peruana Sandra Gamarra Heshiki, artista que representou Espanha na Bienal de Veneza e teve, recentemente, uma grande retrospetiva no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, mais conhecido pelo seu acrónimo, MASP.
Para a equipa curatorial, Bernardo Paz convidou Paulo Miyada, um dos mais respeitados nomes da cena artística brasileira. Ex-diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake, Miyada terá como missão estruturar um museu cuja proposta amplia ainda mais o diálogo entre arte, arquitetura, botânica e paisagem.
O novo projeto ainda não tem nome oficial, mas tendo em conta o lastro de Inhotim – que entrou recentemente na lista dos 52 lugares a conhecer em 2026 pelo “The New York Times”, na 24ª posição entre os destinos recomendados no ranking global –, é muito provável que o empreendimento que Bernardo Paz se incumbiu de pôr de pé coloque novamente Minas Gerais no mapa internacional da arte contemporânea.
“Este novo museu e jardim botânico está a criar raízes e a florescer a partir da minha crença no potencial criativo de encontros inesperados”, disse o empresário ao ‘The Art Newspaper’. “É um lugar para descobrir novas relações entre a arte e uma paisagem encantadora, entre artistas e públicos que ainda não se conhecem, e entre as comunidades de Brumadinho e público de todo o mundo.”