Western Europe Notebooks - Brussels Cannot Be the European Capital of ImpotencePhoto by Aleson Padilha on Pexels
World
Европейский союз
Космос
Castelo Branco

Western Europe Notebooks - Brussels Cannot Be the European Capital of Impotence

oRegiões30 August 2026 at 16:41

Brussels is facing a severe escalation of violence associated with drug trafficking, with dozens of shootings, innocent victims, and neighborhoods under constant tension. At the end of August 2026, the Prosecutor General of Brussels, Julien Moinil, publicly warned that any citizen can be hit by the violence of criminal networks and again demanded resources for investigation and international cooperation. The city has a fragmented institutional architecture, with six police zones, 19 municipalities, regional and federal structures, and multiple security forces that often cannot respond in a coordinated manner to organized crime that does not respect administrative borders.

The Chamber of Representatives approved in May the merger of the six Brussels police zones into a single structure, with implementation expected by the end of 2027. The article argues that this reform is necessary to combat metropolitan criminality, but warns that it cannot become a new institutional battle between municipalities that have the right to defend their constitutional competencies. The difference between a police operation and a security policy lies in dismantling the organizations that finance, supply, and launder the money of criminal networks, not just arresting those who sell drugs on the street.

Brussels is not just a Belgian city, but the political capital of the European Union, where the European Council, the European Commission, and fundamental Union institutions are located. The article emphasizes that when the European capital faces organized crime capable of challenging police authority, Europe cannot limit itself to observing. It advocates for more muscular European cooperation, with rapid information sharing, financial investigation, judicial cooperation, and the capacity to reach the leaders of organizations who are often outside the country where the violence occurs.

On August 28th, more than 550 security personnel were mobilized in a major operation against drug trafficking in different parts of the capital, with participation from police, military, and public transport agents. The article concludes that shock operations and military presence on the streets are necessary but not sufficient, calling on the federal State, the Region, the municipalities, the police forces, and the Justice system to assume concrete responsibilities, public targets, and a clear chain of command, because Europe cannot allow criminal networks to be more European than the institutions tasked with combating them.

CADERNOS DA EUROPA OCIDENTAL - Bruxelas Não Pode Ser a Capital Europeia da Impotência
Foto: Fernando Jesus Pires – Diretor do Jornal ORegiões

Há momentos em que o jornalismo deve abandonar a prudência confortável das fórmulas e dizer simplesmente aquilo que está diante dos olhos

Bruxelas está a perder o controlo de uma parte do seu espaço público

Não é uma frase de efeito. É uma constatação política que resulta de uma sucessão de tiroteios ligados ao narcotráfico, de ataques contra instalações policiais, de redes criminosas que disputam território com armas automáticas e de uma resposta institucional que, durante demasiado tempo, pareceu prisioneira da própria fragmentação administrativa.

Em 2026, a capital da Bélgica voltou a assistir a uma escalada da violência associada ao tráfico de droga. Os números variam consoante o momento e a fonte, mas a realidade que os sustenta é inequívoca: dezenas de tiroteios, vítimas inocentes, bairros sob tensão e uma pressão crescente sobre a polícia e a Justiça. No final de agosto, o procurador do Rei de Bruxelas, Julien Moinil, alertou publicamente para a possibilidade de qualquer cidadão ser atingido pela violência das redes criminosas e voltou a exigir meios para a investigação e cooperação internacional.

Isto deveria bastar para encerrar uma discussão que há demasiado tempo se perde entre competências.

Não se pode combater uma criminalidade que atravessa fronteiras com instituições que continuam a pensar por fronteiras administrativas.

Esta é a primeira verdade que Bruxelas deve aceitar.

A segunda é ainda mais incómoda: a responsabilidade não pertence exclusivamente a um município, a uma região, ao Governo federal ou à polícia. Pertence a todos os níveis de poder que possuem instrumentos para agir.

O problema é que, quando todos têm uma parte da responsabilidade, existe sempre a tentação de ninguém assumir a responsabilidade pelo resultado.

E é precisamente essa tentação que o Estado democrático deve rejeitar.

Bruxelas possui seis zonas policiais. Tem 19 municípios. Tem estruturas regionais e federais. Tem Polícia Federal, Polícia Judiciária, polícia ferroviária e serviços de segurança associados aos transportes públicos. Na Gare du Midi, diferentes autoridades podem coexistir no mesmo espaço físico. Esta arquitetura pode ter razões históricas e administrativas, mas o crime organizado não respeita essa cartografia.

O traficante não pergunta a que zona policial pertence a rua.

O dinheiro não conhece o limite municipal.

A arma não reconhece a competência regional.

E a organização criminosa não espera pela próxima reunião de coordenação.

A política pública tem de aprender a ser tão rápida quanto o problema que pretende combater.

É por isso que a decisão de caminhar para uma única zona policial em Bruxelas pode ser uma reforma necessária. A Câmara dos Representantes aprovou em maio a fusão das seis zonas, com a implementação prevista até ao final de 2027. A futura estrutura procura conservar divisões territoriais capazes de manter a proximidade com os cidadãos.

Não somos contra a descentralização.

Somos contra a descoordenação.

Não somos contra a autoridade municipal.

Somos contra a fragmentação da autoridade quando ela impede uma resposta eficaz a uma criminalidade metropolitana.

Não somos contra a polícia de proximidade.

Somos contra uma proximidade que não consiga comunicar com a inteligência criminal, com a Polícia Judiciária, com a Justiça e com os mecanismos europeus de combate ao crime organizado.

A reforma, contudo, não pode transformar-se numa nova batalha institucional.

Os 19 municípios têm o direito de defender as suas competências e de recorrer aos mecanismos constitucionais disponíveis. O Estado de direito não pode ser suspenso em nome da segurança. Pelo contrário: é precisamente perante uma ameaça à segurança que o Estado de direito deve demonstrar a sua maturidade.

Mas há uma diferença entre contestar legitimamente uma reforma e adiar indefinidamente uma solução.

A Bélgica não pode permitir que o debate sobre quem manda se torne mais importante do que a pergunta sobre como proteger os cidadãos.

E aqui chegamos ao ponto essencial.

Bruxelas não é apenas uma cidade belga.

É uma capital europeia.

É nesta cidade que se encontram o Conselho Europeu, a Comissão Europeia e outras instituições fundamentais da União. É aqui que se cruzam diariamente representantes dos Estados-Membros, diplomatas, funcionários europeus, jornalistas e cidadãos de todas as nacionalidades.

Por isso, a insegurança de Bruxelas possui uma dimensão que ultrapassa a Bélgica.

Quando a capital política da União Europeia enfrenta uma criminalidade organizada capaz de desafiar a autoridade policial, a Europa não pode limitar-se a observar.

A segurança é uma condição da liberdade.

E a liberdade de circulação, uma das maiores conquistas da integração europeia, exige uma capacidade equivalente de cooperação policial e judiciária.

A Europa construiu um espaço económico sem fronteiras internas.

Não pode permitir que as redes criminosas sejam mais europeias do que as instituições encarregadas de as combater.

Esta é uma questão que ultrapassa qualquer ideologia.

O narcotráfico é internacional. As redes financeiras são internacionais. As armas circulam internacionalmente. Os líderes criminosos podem estar fora do país onde a violência ocorre. O recrutamento pode envolver jovens de diferentes países. A distribuição da droga não termina na fronteira belga.

Logo, a resposta também não pode terminar na fronteira belga.

Bruxelas precisa de uma cooperação europeia muito mais musculada: partilha rápida de informação, investigação financeira, cooperação judiciária, identificação das estruturas transnacionais, perseguição dos patrimónios criminosos e capacidade para atingir os verdadeiros dirigentes das organizações.

Prender o homem que vende a droga numa esquina é necessário.

Desmantelar a organização que financia, abastece, recruta e lava o dinheiro é indispensável.

A diferença entre uma operação policial e uma política de segurança está precisamente aí.

No dia 28 de agosto, mais de 550 elementos de segurança foram mobilizados numa grande operação contra o tráfico de droga em diferentes pontos da capital, com participação policial, militar e de agentes dos transportes públicos. A operação teve uma evidente dimensão operacional, mas também uma dimensão simbólica: mostrar que o Estado recupera presença nas ruas.

Essa presença é necessária.

Mas não basta.

Militares nas ruas podem reforçar temporariamente a segurança. Polícias podem ocupar os pontos críticos. Controlos podem produzir detenções. Operações de grande dimensão podem desorganizar temporariamente os mercados.

Mas nenhuma operação de choque substitui a investigação.

Nenhuma patrulha substitui a Justiça.

Nenhuma conferência de imprensa substitui resultados.

E nenhuma reforma administrativa substituirá a vontade política.

É neste ponto que queremos ser claros.

Bruxelas não precisa de mais uma declaração solene de que todos devem “assumir responsabilidades”.

Precisa que alguém as assuma.

Precisa de metas públicas.

Precisa de meios.

Precisa de investigadores.

Precisa de magistrados.

Precisa de inteligência criminal.

Precisa de cooperação internacional.

Precisa de uma cadeia de comando clara.

E precisa de saber quem responderá politicamente se, daqui a um ano, os tiros continuarem.

A cidadania europeia não pode ser reduzida ao direito de votar, circular e trabalhar.

Há também um direito fundamental, talvez o mais elementar de todos: viver sem medo.

Não existe liberdade verdadeira quando uma família hesita em deixar os filhos brincar numa praça. Não existe cidade verdadeiramente aberta quando uma esplanada se transforma num possível abrigo perante uma rajada de tiros. Não existe autoridade pública digna desse nome quando uma esquadra é atacada com armas automáticas e a discussão subsequente se transforma numa disputa sobre competências.

O Estado deve responder.

E deve responder antes que a exceção se transforme em normalidade.

É por isso que rejeitamos tanto o alarmismo fácil como a complacência burocrática.

Bruxelas não está perdida.

Mas Bruxelas está avisada.

A cidade continua a ser uma das grandes capitais cosmopolitas da Europa. Continua a ser um centro de cultura, comércio, diplomacia, conhecimento e vida urbana. A resposta ao narcotráfico não pode estigmatizar bairros inteiros, comunidades inteiras ou gerações inteiras.

O combate ao crime deve ser implacável com as organizações criminosas e justo com os cidadãos.

Deve atingir quem manda, quem financia, quem arma e quem lucra.

Não deve transformar comunidades em suspeitos coletivos.

É precisamente essa diferença que distingue um Estado de direito de uma simples máquina de repressão.

A Europa não pode escolher entre segurança e liberdade.

Tem de garantir ambas.

E Bruxelas deve ser o lugar onde essa promessa se torna concreta.

O que está em causa não é apenas a capacidade da polícia belga para controlar determinados bairros. Está em causa a capacidade de uma democracia europeia para proteger o espaço público contra organizações que pretendem substituí-la pela lei do dinheiro, da arma e do medo.

Não aceitaremos que o narcotráfico se torne uma autoridade paralela.

Não aceitaremos que as balas determinem quem pode ocupar uma praça.

Não aceitaremos que a fragmentação institucional se transforme numa desculpa permanente.

E não aceitaremos que a capital da Europa seja descrita, pouco a pouco, pela linguagem dos tiroteios.

Bruxelas merece mais.

A Bélgica merece mais.

A Europa merece mais.

Este é o momento de o Estado federal, a Região, os 19 municípios, as forças policiais e a Justiça deixarem de discutir quem possui a culpa e começarem a demonstrar quem possui a capacidade.

E esta é também a hora da Europa.

Se o crime organizado consegue operar através das fronteiras europeias, a resposta europeia tem de atravessar essas mesmas fronteiras.

Se os criminosos partilham informação, dinheiro e logística, as polícias europeias têm de partilhar informação, inteligência e capacidade.

Se os chefes das redes estão fora do país onde os seus homens disparam, a Justiça europeia tem de saber alcançá-los.

Não se trata de construir uma Europa policial.

Trata-se de construir uma Europa capaz de proteger os cidadãos que a própria integração europeia aproximou.

Bruxelas é a capital dessa Europa.

Por isso, a Europa não pode virar o rosto.

Porque quando uma bala atinge uma rua de Bruxelas, não é apenas uma rua belga que está em causa.

É a autoridade do Estado.

É a confiança do cidadão.

É a promessa europeia.

E essa promessa não pode ser deixada à mercê dos traficantes.

 

Fernando Jesus Pires,

Jornalista CP-Nacional, CP-Internacional, Diretor do jornal independente OREGIÕES

O conteúdo CADERNOS DA EUROPA OCIDENTAL – Bruxelas Não Pode Ser a Capital Europeia da Impotência aparece primeiro em oRegiões.

Related articles

Só resistiram as memórias: no seio da destruição em Bucha, um álbum de fotografias conta uma história
World

Only memories resisted: in the heart of destruction in Bucha, a photo album tells a story

The SIC correspondent in Ukraine, Iryna Shev, reports on the devastation in Bucha after 10 hours of intense explosions. In her coverage work, she had to follow a police officer step by step to avoid stepping on unexploded ordnance that remained in the area. The article highlights the memories that resisted amid destruction and shows the little that remained in that region.

SIC Notícias30/08/26, 20:51
Quando a música é esperança no meio da guerra: a casa de Tetiana ficou destruída, mas o piano ainda toca
World

When music is hope in the middle of war: Tetiana's house was destroyed, but the piano still plays

Tetiana, a Ukrainian woman whose house was destroyed during the war, found in the piano that survived the explosions a source of hope and resistance. The instrument, around which the family used to reunite on birthdays and holidays, is being played again even with the house without windows and open from the impacts of the attacks, symbolizing the persistence of culture and the human spirit amid the conflict.

SIC Notícias30/08/26, 20:44
World

"Trajes das Terras de Val de Vez" on Display at the Tourism Shop

The Interactive Tourism Shop in Arcos de Valdevez, Portugal, is hosting the exhibition "Trajes das Terras de Val de Vez", organized by collector Ivo Rua. The exhibition showcases the main traditional costumes that marked the lives of Arcos families between the late 19th century and the mid-20th century, offering visitors a glimpse into the region's cultural heritage and traditional clothing.

Alto Minho TV30/08/26, 20:30
Papa Leão XIV e Dalai Lama dedicam orações às vítimas das cheias no Nepal e Tibete
World

Pope Leo XIV and Dalai Lama dedicate prayers to the victims of the floods in Nepal and Tibet

Pope Leo XIV and the Dalai Lama dedicated prayers to the victims of the severe floods that affected Nepal and Tibet. Chinese tunnel specialists have already arrived in Nepal to reinforce search and rescue operations, while approximately 3,000 people remain missing following the floods.

SIC Notícias30/08/26, 20:19