
Os portugueses começaram a semana com a má notícia garantida. A partir desta segunda-feira, abastecer a viatura ia ficar ainda mais caro. Quem pôde, aguentou alguns longos minutos de filas durante o fim de semana para evitar a fatura mais pesada. Mas, afinal, o agravamento dos preços dos combustíveis foi inferior ao esperado. Ainda assim, estamos perante o maior aumento desde 20 de julho no caso do gasóleo. Mas na gasolina a escalada é a maior em mais de três anos.
Inicialmente, a expectativa era de que os preços do diesel iriam disparar 15 cêntimos, enquanto os da gasolina arriscavam um aumento de 12 cêntimos por litro, de acordo com as estimativas avançadas pelo Automóvel Club de Portugal (ACP). Mas com a atualização do apoio do Governo, as cotações finais da matéria-prima e o comportamento do mercado cambial, afinal o diesel, o combustível mais usado em Portugal, subiu 7,5 cêntimos, depois da redução de 3,7 cêntimos da semana anterior, e a gasolina subiu oito cêntimos (tinha subido 2,7 cêntimos na última semana de agosto).
Combustíveis. Diferença de preços Portugal/Espanha/França
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Isto significa que, no caso da gasolina, é preciso recuar a 31 de julho de 2023 para encontrar uma subida mais vertiginosa (nove cêntimos). Já no gasóleo basta recuar apenas a 20 de julho deste ano para ter uma subida mais acentuada (11,2 cêntimos).
O Executivo estabeleceu o limiar nos dez cêntimos de subida para apoiar os combustíveis contabilizado a partir da semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estado Unidos e de Israel ao Irão, que levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Desde então o gasóleo regista um aumento acumulado de 47,4 cêntimos e a gasolina de 39 cêntimos.
O forte aumento dos preços dos combustíveis na bomba levou o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro a acusar o Governo de estar a ganhar dinheiro com a subida dos combustíveis. Uma declaração desmentida pela ministra do Ambiente, em conferência de imprensa, segunda-feira, que garantiu que o “Governo não está a lucrar com a crise dos combustíveis”. Maria da Graça Carvalho sublinhou que a diferença de preços que Portugal tem face a Espanha é idêntica à que Espanha tem relativamente a França, depois de Carneiro ter ido até Tui, no país vizinho para visitar um posto de combustível e sublinhar que o país está a perder competitividade em relação a Espanha devido à diferença do preço da gasolina e do gasóleo.
Empresas pedem resposta proporcional à crise do combustível
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Tendo em conta que os aumentos dos combustíveis parecem por vezes desfasados da evolução da cotação da matéria-prima, o Executivo pediu à Entidade Nacional para o Setor Energético que analisasse os movimentos dos preços por não ver justificação para que os preços dos combustíveis demorem mais a descer do que a subir. A ERSE afastou a tese de que as subidas nos preços dos combustíveis sejam rápidas e as descidas mais lentas, pelo menos de forma “persistente”. Contudo, detetou “diferenças temporárias”, em particular no gasóleo.




