The GNR is warning about the growth of staged traffic accident scams, known as "fake accidents," which have already caused losses exceeding 72,540 euros in just the first six months of 2026. The district of Faro is the most affected in the country, with six cases recorded between January and June, surpassing the four cases in Lisbon and the three in Porto, Viseu, and Beja. In just half a year, Faro has already exceeded the total of five incidents recorded throughout all of 2025.
The scheme works by suspects following victims as they exit parking lots near commercial areas, using light signals or horn honking to force the driver to stop. When they manage to approach the victim, they claim that the victim hit their vehicle, pointing to scratches or damage that already existed. The fraudsters present themselves in a friendly manner and, in some cases, are accompanied by women and children to build trust. The victim is then pressured to pay immediately, avoiding police or insurance intervention, and may be accompanied to an ATM to withdraw cash.
The GNR also identifies a more sophisticated method that has contributed to the increase in losses. Criminals have started using portable payment terminals, disguising them in a way that allows them to observe the PIN code entered by the victim. The bank card can then be swapped for a similar one, enabling suspects to make illegal withdrawals of high amounts. One of the cases recorded this year resulted in a loss of 15,450 euros for a single victim.
The suspects deliberately select drivers over 60 years old, exploiting their sense of guilt, fear of legal trouble, and possibly lesser familiarity with electronic payment methods. In the event of an alleged accident, the GNR recommends not handing over money immediately, photographing the vehicles and location, requesting the other party's documentation, and contacting the insurance company. Bank details must remain protected, and in case of doubt, authorities should be contacted immediately.
Um simples aviso de que terá batido noutro carro pode ser o início de uma burla capaz de provocar prejuízos de milhares de euros. A GNR alerta para o crescimento dos chamados “falsos acidentes”, um esquema que já causou perdas superiores a 72 mil euros apenas nos primeiros seis meses de 2026 e que está a ter especial incidência no Algarve.
O distrito de Faro é, neste momento, aquele onde a Guarda registou mais ocorrências deste tipo em todo o país. Entre janeiro e junho foram contabilizados seis casos, mais do que os quatro registados em Lisboa e os três verificados no Porto, em Viseu e em Beja. Os números ganham ainda maior dimensão quando comparados com o ano passado. Durante todo o ano de 2025, Faro tinha registado cinco ocorrências. Só na primeira metade de 2026 já ultrapassou esse valor.
Prejuízos já chegam aos 72.540 euros
Em todo o território nacional, a GNR recebeu 30 denúncias de burlas por simulação de acidentes entre janeiro e junho deste ano, o que representa um aumento de 15,4% face aos 26 casos registados no mesmo período de 2025. Mas é sobretudo o dinheiro perdido pelas vítimas que está a preocupar as autoridades. Os prejuízos atingiram 72.540 euros no primeiro semestre de 2026, quando durante todo o ano passado tinham totalizado 77.480 euros.
Num dos casos registados este ano, uma única vítima perdeu 15.450 euros. Em 2025, o maior prejuízo individual tinha sido de 15 mil euros. A GNR considera que existe um «agravamento substancial por ocorrência» e admite que o impacto financeiro destas burlas em 2026 venha a ultrapassar largamente o registado no ano anterior.
Burla pode começar à saída de um parque de estacionamento
O esquema é preparado para convencer o condutor de que provocou um acidente que, na realidade, nunca aconteceu. Segundo a GNR, os suspeitos seguem frequentemente as vítimas quando estas saem de parques de estacionamento, nomeadamente junto de superfícies comerciais. Depois utilizam sinais de luzes ou avisos sonoros para obrigar o condutor a parar.
Quando conseguem abordar a vítima, dizem-lhe que esta terá embatido no seu automóvel. Para tornar a história credível, apontam normalmente para riscos que já existiam na viatura ou para elementos previamente danificados, como espelhos partidos. Os burlões podem apresentar-se de forma cordial e segura e, em alguns casos, fazem-se acompanhar por mulheres e crianças para transmitir uma maior sensação de normalidade e confiança.
Depois dizem que é melhor pagar sem chamar a polícia
Convencida de que provocou os danos, a vítima é pressionada a resolver rapidamente a situação. Os suspeitos podem alegar que têm pressa ou argumentar que envolver a seguradora fará o condutor perder o bónus do seguro. Desta forma, tentam convencer a vítima a entregar dinheiro diretamente, evitando a intervenção da polícia e das seguradoras.
Quando a pessoa não tem dinheiro suficiente consigo, os burlões podem acompanhá-la até uma caixa Multibanco para fazer um levantamento. Mas a GNR alerta agora para um método mais sofisticado que pode provocar prejuízos ainda maiores.
Podem levar um terminal de pagamento e tentar descobrir o seu PIN
Os criminosos começaram também a utilizar terminais de pagamento automático portáteis. De acordo com a GNR, o equipamento pode ser dissimulado de forma a permitir aos burlões observar o código PIN introduzido pela vítima. O cartão bancário pode depois ser trocado, sem que esta perceba, por outro semelhante.
Na posse do verdadeiro cartão e do respetivo código, os suspeitos conseguem posteriormente efetuar levantamentos ilegais de quantias elevadas. É precisamente a utilização destes novos métodos de extorsão e o acesso direto aos cartões e códigos bancários que ajudam a explicar o aumento dos prejuízos registados este ano.
Condutores com mais de 60 anos são escolhidos de propósito
Há ainda um perfil de vítima que merece particular atenção. A GNR revela que a escolha deliberada de condutores com mais de 60 anos constitui uma estratégia dos autores deste tipo de burla. Os suspeitos procuram explorar o sentimento de culpa provocado pelo alegado acidente, o receio de problemas legais e uma eventual menor familiaridade com determinados meios de pagamento eletrónico. A abordagem pode, por isso, parecer uma tentativa normal de resolver um pequeno acidente de trânsito, quando o verdadeiro objetivo é conseguir dinheiro ou acesso aos dados bancários da vítima.
O que deve fazer se alguém disser que bateu no carro?
A principal recomendação da GNR é não entregar dinheiro imediatamente, mesmo quando o outro condutor insiste numa resolução rápida. Perante um suposto acidente, devem ser fotografados os veículos e o local, solicitada a documentação da outra parte e preenchida a declaração amigável ou contactada a seguradora.
Os dados bancários devem permanecer protegidos e não devem ser entregues cartões ou códigos PIN a terceiros. Se existirem dúvidas sobre o acidente ou a abordagem parecer suspeita, a GNR aconselha a contactar imediatamente as autoridades. A denúncia pode ser feita junto da Guarda ou no posto territorial mais próximo.
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