Chronicle by Raphael Mesquita | Now it's their turnPhoto by Sergio Benitez on Pexels
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Chronicle by Raphael Mesquita | Now it's their turn

Jornal de Mafra29 August 2026 at 16:55

In July, a meeting of a conservative women's movement was held in Sintra, whose official launch is scheduled for November. The group is led by founder Rebeca Batista and includes the participation of four deputies from far-right parties, three Portuguese and one Brazilian, as well as other figures such as a legal scholar, a lawyer, two consultants in International Relations, two influencers, and a psychoanalyst.

According to the founder, the movement emerges as a response to what she considers to be a problem with part of contemporary feminism, which, according to Rebeca Batista, "has come to interpret society mainly through an intersectional logic and conflict between groups." Several participants in the group also defend the actions of the government of Israel in Gaza.

The movement expresses closeness to evangelical churches, although the Portuguese Evangelical Alliance has distanced itself from the group. The movement advocates for "protection of life from conception" and that marriage is between a man and a woman, positions that the chronicle notes are similar to those of the Portuguese Evangelical Alliance. The movement's manifesto is still being drafted with contributions from various participants.

The meeting generated public debate, with Raphael Mesquita's chronicle criticizing the apparent contradiction of a group of women with higher education and political relevance positioning themselves against feminism, considering it unnecessary for their current situation.

Crónica de Raphael Mesquita

Agora é que são elas

 

Em julho, em Sintra, houve um encontro de um movimento de mulheres conservadoras. O lançamento oficial será feito em novembro. Imagino que seja assim, provavelmente, para dar tempo de todas as participantes receberem a devida autorização do cabeça de família.

O anúncio de tal grupo suscita questões: quem é que vai ser o porta-voz? Algum marido? E qual será o movimento? Da cama para a cozinha, conforme ele mandar?

No encontro estiveram presentes três deputadas portuguesas e uma deputada brasileira. Afinal, se há algo em que uma pessoa pensa quando pensa numa mulher conservadora, é em alguém independente e com voz num parlamento político.

Além disso, estiveram presentes, entre outras, uma jurista, uma advogada, duas consultoras na área das Relações Internacionais, duas influencers, uma psicanalista e uma evidente falta de gosto pelo feminismo que lhes permitiu ser isso tudo.

De acordo com a fundadora, Rebeca Batista, “o problema surge quando uma parte do feminismo (…) passa a interpretar a sociedade sobretudo através de uma lógica interseccional e de conflito entre grupos”. Tendo em conta que deste grupo faziam parte quatro deputadas de partidos de extrema-direita, nota-se, realmente, o quanto são contra conflitos entre grupos.

Entre elas encontram-se também várias pessoas que defendem as ações do governo de Israel em Gaza, o que só sublinha que conflitos não é cá com elas.

Nas notícias sobre o encontro, destacou-se a possível aproximação a igrejas evangélicas. Já a Aliança Evangélica Portuguesa demarcou-se do movimento, ou não fosse alguém pensar que uma religião baseada em princípios da família tradicional seria representada por um grupo de mulheres.

O conjunto de igrejas evangélicas diz-se apartidário, tal como o movimento de mulheres conservadoras; defende “a proteção da vida desde a conceção”, tal como o movimento de mulheres conservadoras; e defende que o casamento é entre um homem e uma mulher, tal como o movimento de mulheres conservadoras. Podia continuar a lista, mas encheria o texto com muitas meras coincidências.

O manifesto do movimento ainda está a ser redigido com submissões de ideias de várias pessoas. Promete ser um texto e tanto, tendo em conta que, se há algo de que entendem, é de submissões.

Um grupo de mulheres com formação superior, liberdade de expressão, liberdade de escolha, autonomia e relevância política acha que o feminismo não as representa. É como um peixe achar que o mar tem demasiada humidade.

Não há nada como ser contra aquilo que lhes garantiu o direito de se manifestarem. Às tantas, isso do feminismo é só para o que lhes dá jeito.


Raphael Mesquita

Sobre o autor
Sou o Rafu, comediante com 6 anos de experiência, nascido no Brasil, filho de mãe angolana e com raízes portuguesas - uma mistura que me proporciona um olhar único sobre as realidades dos dois lados do Atlântico. Atualmente vivo no Porto, após percursos por Lisboa e Coimbra, deixando abaixo uma breve apresentação: «O Rafu é um jovem velho, de Coimbra a viver no Porto; Não é pessoa de meias medidas (veste uma de cada tamanho) e sabe como as palavras podem magoar (porque uma vez um livro lhe caiu em cima). O Rafu nasceu no Brasil, a mãe é angolana, a avó portuguesa e às vezes vê-se russo com isso. Foi vocalista de uma banda, o que lhe valeu o primeiro emprego e a falta de vida própria. Deixou Lisboa porque estava cansado de pedir uma torrada em inglês. Trabalha muito, ganha pouco e só precisa de uma oportunidade (e algum dinheiro, vá). Fez de padre numa curta metragem, foi o mais próximo que esteve de ser santo».

Pode ler (aqui) as restantes crónicas de Raphael Mesquita


 

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