"Many companies stop accepting orders" due to labor shortagesPhoto by Emílio on Pexels
Business

"Many companies stop accepting orders" due to labor shortages

Jornal Económico28 August 2026 at 07:37

The president of the Portuguese Industrial Association (AIP), José Eduardo Carvalho, warned that thousands of jobs in industry remain vacant for several months due to lack of workers. The situation results from multiple structural factors, including population aging, reduction of the active population, emigration of qualified workers, and mismatch between training and business needs. AIP argues that Portugal faces a competitiveness problem that requires public policies to increase productivity, reduce context costs, and favor investment.

The labor shortage is limiting company growth, with companies refusing orders, postponing investments, and operating below installed capacity. José Eduardo Carvalho emphasized that there are companies with capacity, orders, and markets, but that cannot expand because they cannot find the necessary human resources. The real risk, according to the AIP president, is that Portugal loses the ability to attract industrial investment and continues to witness the relocation of activities and talent.

Portuguese industry has become more technological, more automated, and more digital, which has profoundly changed qualification needs. The AIP president advocated for strengthening vocational education, bringing training closer to the needs of the economy, and a more flexible labor framework. Regarding wages, companies have made efforts to improve remuneration, but José Eduardo Carvalho warned that there is no sustained wage growth without productivity growth, and that revising taxation on labor is equally essential.

AIP is part of the "green channel" protocol for immigration, created by the Government in partnership with business associations, considering it one of the most relevant measures in recent years. José Eduardo Carvalho expressed satisfaction with this channel and stated that through AIP alone there are approximately 5,000 worker applications in progress, considering that experience shows it is possible to build effective solutions when there is collaboration between the State and business associations.

O presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP) adianta ao Jornal Económico que há “milhares de postos de trabalho por preencher, muitos dos quais permanecem vagos durante vários meses”, mas diz estar satisfeito com a “via verde” à imigração legal criada pelo Governo em parceria com as associações empresariais. José Eduardo Carvalho está também preocupado com a produtividade.

A falta de trabalhadores tem-se agravado na indústria?
A disponibilidade de mão de obra, sobretudo a de qualificação mais adequada, continua a ser uma das maiores limitações ao crescimento da indústria portuguesa. No entanto, a AIP entende que este problema não pode ser analisado de forma isolada. Ele resulta de um conjunto de fatores estruturais, entre os quais o envelhecimento da população, a redução da população ativa, a emigração de trabalhadores qualificados, o desajustamento entre a formação e as necessidades das empresas e um enquadramento económico que continua a penalizar o investimento e a criação de emprego. Portugal enfrenta hoje um problema de competitividade. Se queremos uma indústria mais forte, mais inovadora e capaz de pagar melhores salários, é indispensável criar condições para aumentar a produtividade das empresas, reduzir os custos de contexto e adotar políticas públicas que favoreçam o investimento.

Quantas vagas há atualmente por preencher no setor?
Não existe um levantamento rigoroso para o conjunto da indústria. O contacto permanente da AIP com as empresas permite, contudo, concluir que existem milhares de postos de trabalho por preencher, muitos dos quais permanecem vagos durante vários meses. Tão relevante como o número absoluto é o impacto económico desta realidade.

A escassez de trabalhadores limita o crescimento?
Sem dúvida. Existem empresas que têm capacidade instalada, encomendas e mercados, mas que não conseguem crescer porque não encontram os recursos humanos necessários. A escassez de recursos humanos limita o investimento, reduz a capacidade produtiva, atrasa projetos de expansão e condiciona o crescimento das exportações. Mas o verdadeiro risco é mais profundo. Se Portugal não conseguir aumentar a produtividade e criar um ambiente mais competitivo para as empresas, perderá capacidade para atrair investimento industrial e continuará a assistir à deslocalização de atividades e de talento.

Qual o volume de negócios que deixa de ser gerado por falta de pessoal?
Não existe uma estimativa consolidada. O que sabemos é que muitas empresas deixam de aceitar encomendas, adiam investimentos ou operam abaixo da sua capacidade por falta de trabalhadores. Essa perda de produção representa igualmente uma perda de riqueza para o país.
A principal dificuldade está
na falta de candidatos ou nas competências e experiência?
As duas situações coexistem. A escassez de mão de obra com menos requisitos de qualificações é mais fácil de ser suprida com recurso à imigração. Em contraponto, existem situações de profissões para as quais praticamente deixaram de existir candidatos e outras em que o principal problema reside na falta de qualificações adequadas. A indústria portuguesa está hoje muito mais tecnológica, mais automatizada e mais digital. Isso significa que as necessidades das empresas evoluíram profundamente. É essencial reforçar o ensino profissional, aproximar a formação das necessidades da economia e criar um quadro laboral que permita uma maior adaptação às novas formas de organização do trabalho.

Têm aumentado os salários para atrair trabalhadores?
As empresas têm vindo a fazer um esforço para melhorar as remunerações e as condições de trabalho, mas a AIP tem defendido que esta discussão deve ser colocada nos termos corretos. Portugal precisa de salários mais elevados, mas esses salários têm de resultar de empresas mais produtivas e mais competitivas. Não existe crescimento sustentado dos salários sem crescimento da produtividade. É igualmente indispensável rever a fiscalidade sobre o trabalho.

A “via verde” para imigrantes cumpre as expectativas?
O défice demográfico que Portugal enfrenta faz da imigração económica uma componente indispensável da resposta às necessidades das empresas. A AIP integra o protocolo da “via verde” para a imigração e considera que é uma das medidas mais relevantes dos últimos anos para responder à escassez de mão de obra. Os resultados demonstram-no claramente: apenas através da AIP encontram-se em tramitação processos de cerca de 5.000 trabalhadores. A experiência tem sido positiva. Naturalmente, existe sempre margem para acelerar procedimentos administrativos, mas demonstra que é possível construir soluções eficazes quando existe colaboração entre o Estado e as associações empresariais.

Related articles

Precisa de abastecer? Próxima semana deverá trazer subida e descida nos preços dos combustíveis
Business

Need to refuel? Next week should bring fuel price rises and falls

Next week should bring changes in fuel prices, with some fuel categories registering increases and others decreases. The update indicates that consumers should be attentive to price variations at gas stations.

SIC Notícias28/08/26, 09:08
Business

BNDES launches unprecedented call for proposals of up to R$ 15 million to support the elderly

BNDES (National Bank for Economic and Social Development) launched this Friday (28) its first call for proposals to select projects aimed at promoting, protecting, and guaranteeing the rights of the elderly. The bank may allocate up to R$ 15 million to the selected initiatives, with resources coming from incentivized donations from the Elderly Rights Funds.

oglobo28/08/26, 09:05
Business

Venezuela: USA negotiating with country participation in oil fields

The United States is negotiating with Venezuela's interim government to acquire stakes in more than a dozen of the country's oil fields, including the possibility of a 100-year concession, according to Axios and Bloomberg. The talks, led by Secretary of State Marco Rubio and interim President Delcy Rodríguez, aim to substantially increase US oil reserves and allow greater participation of US companies in the exploration and development of Venezuelan oil assets. Venezuela has the world's largest proven oil reserves, but its production has remained below historical levels due to infrastructure degradation and the economic crisis. The negotiations come after Washington eased sanctions to allow American companies to return to the country.

Jornal Económico28/08/26, 09:04
Business

Works by SMAS de Leiria for the renovation of the water distribution network on three city arteries last 90 days

SMAS de Leiria are carrying out works to renovate the water distribution network on three streets in the city - General Norton de Matos, Vasco Fernandes and Luís da Silveira Charter de Azevedo - with an estimated duration of 90 days. The works are taking place near the Dr. Gorjão Henriques Health Centre.

Região de Leiria28/08/26, 09:00