As investigações da Polícia Federal revelam que servidores da cúpula da área de supervisão do Banco Central prestavam consultoria informal ao banqueiro Daniel Vorcaro, orientando-o sobre como se comportar em reuniões com a presidência da autarquia e outros diretores. As orientações incluíam instruções detalhadas sobre como defender a capitalização com créditos tributários do Banco Internacional do Funchal (Banif), instituição portuguesa cuja subsidiária brasileira passou a ser controlada pelo banco Master em 2023.
Os investigadores identificaram a existência de um grupo de mensagens instantâneas chamado "Master", que reunia os servidores do BC e o banqueiro. Por meio desse canal, os servidores forneciam diretrizes sobre o discurso que Vorcaro deveria utilizar nas reuniões com a diretoria do Banco Central.
As instruções também orientavam Vorcaro a afirmar que a venda do banco Voiter ao seu ex-sócio Augusto Lima geraria um caixa milionário para a instituição. Além disso, os servidores orientavam o banqueiro sobre como justificar a compra do Will Bank, um banco digital com forte presença no mercado.
As investigações fazem parte do caso Dark Horse, que apura supostas irregularidades na compra do Will Bank pelo banco Master. A defesa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pediu que o caso fosse redistribuído do ministro Cristiano Zanin para a ministra Cármen Lúcia, solicitando também que a investigação fosse transferida do ministro Flávio Dino para o subprocurador-geral da República Mendelson Gaspar.




