O turismo náutico mantém uma trajetória de crescimento em Portugal, mas a falta de infraestruturas ameaça limitar a expansão do setor. No Douro, um dos principais polos de turismo fluvial do país, os operadores apontam para uma época alta positiva. Em 2025, a Via Navegável do Douro registou 1.388.646 passageiros, contra 1.377.858 no ano anterior, mantendo oito anos consecutivos de crescimento. A atividade envolveu 113 operadores, 252 embarcações e quase 17 mil eclusagens. A nível nacional, existem 2.577 embarcações marítimo-turísticas registadas, num universo de mais de 73 mil embarcações de recreio, e a náutica de recreio envolve mais de 6.000 empresas, 10 mil trabalhadores e 556 milhões de euros de volume de negócios.
A procura no Douro é fortemente impulsionada pelos mercados internacionais, com os Estados Unidos a assumirem particular destaque no segmento dos navios-hotel. Reino Unido, França, Alemanha, Canadá e Austrália estão também entre os principais mercados emissores. A Pipadouro, operadora de turismo fluvial de luxo, cresceu 14% em 2025 e 90% dos seus clientes são estrangeiros. A AAMTD estima que o turismo fluvial no Douro gere atualmente entre 350 e 450 milhões de euros por ano e seja responsável por mais de 8.000 postos de trabalho diretos.
A AAMTD identifica a modernização e aumento da capacidade operacional das eclusas como um dos fatores que mais condicionam o crescimento futuro. A requalificação dos cais e das infraestruturas portuárias, a sustentabilidade ambiental, a escassez de recursos humanos qualificados e a gestão da crescente procura estão também entre os problemas identificados. A nível nacional, o Fórum Oceano alerta que em zonas de maior procura, sobretudo marinas e cais, a capacidade pode esgotar-se durante a época alta, e no interior existem ainda locais sem cais ou ancoradouros. O setor enfrenta igualmente forte fragmentação empresarial e falta de dados estatísticos próprios, o que dificulta o planeamento estratégico e o acesso a financiamento.
Os operadores têm feito atualizações moderadas dos preços, mas os custos de combustíveis, energia, manutenção, seguros, financiamento e recursos humanos continuam a pressionar as margens. A AAMTD defende que o desafio já não passa apenas por aumentar o número de visitantes, mas por aumentar o valor gerado pela atividade. A escassez de mão-de-obra qualificada é outro dos principais problemas, com dificuldades no recrutamento e retenção de tripulações, técnicos especializados e profissionais ligados à operação turística. O porta-voz do Fórum Oceano considera que a margem de crescimento continua a ser significativa, sobretudo nas águas interiores e na ligação entre experiências náuticas, gastronomia, património e natureza.




