Fernando Rodrigues recebia 540 euros de pensão e a mulher, Filomena, pouco mais de 700 euros, mas as duas reformas não chegavam para fazer face às despesas do casal. Mais de 70% do orçamento ia para as despesas da casa, incluindo crédito à habitação, energia, telecomunicações e medicamentos, num valor aproximado de 250 euros mensais só em medicamentos. Os custos com alimentação e outros gastos básicos tinham aumentado, e o casal não fazia férias há mais de 20 anos.
Fernando tinha deixado de trabalhar em 2007 por indicação médica, após sofrer um burnout severo, permanecendo cerca de 15 anos afastado da atividade profissional. Quando Filomena se reformou em 2021, o casal fez as contas e percebeu que os rendimentos não eram suficientes. Fernando começou então a atualizar conhecimentos e voltou à área da contabilidade, trabalhando a partir de casa e juntando cerca de 500 euros à sua pensão.
Filomena, que tinha trabalhado como técnica de farmácia, tinha abandonado o emprego em 2007 para acompanhar o marido durante a doença. Mais tarde regressou ao mercado de trabalho e acabou por se reformar antecipadamente em 2021 para cuidar da mãe. Continuava ainda a fazer trabalhos em part-time numa loja perto de casa sempre que possível.
Sobre a possibilidade de descansar, Fernando disse ao Público: "Quando nós formos para o cemitério é que vamos descansar. De resto temos de andar sempre a pedalar, porque não ganhamos o suficiente para comer." O casal esperava conseguir deixar definitivamente de trabalhar quando terminasse de pagar a casa, o que deveria acontecer por volta dos 75 anos. A história foi contada pelo Público em maio de 2023.




