Pedro Passos Coelho alertou o primeiro‑ministro Luís Montenegro que o tempo do governo para fazer reformas estruturais está a esgotar‑se. O aviso surge num prefácio que escreveu para o livro “Portugal na Paz dos Bloqueios”, de Pedro Gomes Sanches, a apresentar em outubro. O antigo primeiro‑ministro defende que Portugal continua preso a entraves que limitam o crescimento e a competitividade, e que os três anos de legislativa que restam não devem ser desperdiçados.
Passos Coelho refere que o tempo disponível tem vindo a ser reduzido pela fragilidade eleitoral dos governos e pelo escasso apoio parlamentar. Aponta como áreas prioritárias para reforma o financiamento da Segurança Social, o aumento da produtividade, a competitividade, a saúde, a educação, a habitação e a reforma do Estado.
Um estudo coordenado por Passos Coelho, pelo ex‑deputado Sérgio Sousa Pinto e pelo presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, concluiu que a baixa produtividade é o principal entrave ao crescimento económico português. O estudo “Bloqueios versus Reformas: uma visão para Portugal” identificou bloqueios no capital humano, investimento e inovação, escala empresarial, poupança e financiamento, bem como no funcionamento do Estado. Desde 1999, a economia portuguesa cresceu em média apenas 1,1% ao ano, um dos piores desempenhos da União Europeia.
O primeiro‑minister Montenegro reagiu ao alerta durante a inauguration de uma escola em Setúbal, rejeitando comentar diretamente o aviso. “Ninguém muda a escola, ninguém muda o município, ninguém muda o país com tristezas e lamúrias”, respondeu, garantindo que o executivo não se vai desviar do foco de transformar o país.




