O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pediu aos países do BRICS um roteiro para reformular a governação mundial, considerando que a estrutura atual é uma "pirâmide" que concentra o poder e a tomada de decisões no topo, deixando os países afetados sem capacidade de influência. Modi fez estas declarações na abertura da primeira sessão plenária da cimeira de líderes, que decorreu no centro de convenções Bharat Mandapam, em Nova Deli, com a presença do Presidente chinês Xi Jinping, do homólogo russo Vladimir Putin e do Presidente iraniano Masoud Pezeshkian, entre outros chefes de Estado do bloco.
O roteiro proposto por Modi estrutura-se em torno de três eixos: representação, capacidade de resposta e elaboração de normas, com o objetivo de reforçar o peso das economias emergentes nas instituições internacionais. O primeiro-ministro sublinhou que a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas "já não pode ser adiada" e que as negociações devem estar associadas a prazos definidos e resultados concretos.
Modi defendeu ainda que o poder de voto, os cargos de liderança e as prioridades das instituições financeiras internacionais devem refletir o peso atual das economias que impulsionam o crescimento mundial. A Índia, que detém a presidência rotativa do bloco este ano, pretende que os BRICS transformem o consenso interno em resultados concretos à escala global.
O primeiro-ministro afirmou que o Sul global "se encontra hoje na primeira fila das crises mundiais, mas na última fila da tomada de decisões", pedindo que a "pirâmide de privilégios" se transforme numa "plataforma de parceria". Modi insistiu que os BRICS "não estão contra ninguém" e devem avançar integrando todos, numa tentativa de apresentar o bloco como uma plataforma de reforma do sistema internacional e não como uma aliança de confronto.




