O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, e a Associação Nacional de Revendedores de Energia, Combustíveis e Estações de Serviço (ANAREC) criticaram esta sexta-feira o aumento da receita fiscal do Estado através dos combustíveis. Em intervenções separadas, ambos acusaram o Executivo de estar a inflacionar a receita fiscal à custa dos contribuintes e do tecido empresarial português.
José Luís Carneiro, à entrada de uma reunião com a Associação Nacional de Municípios Portugueses em Coimbra, afirmou que "o Governo deu com uma mão e está a tirar com as duas". O líder socialista sustentou que existe um "aumento brutal da receita" proveniente do IVA e da carga fiscal sobre combustíveis entre 2024 e 2025, com impacto direto em 2026, considerando que os alívios no IRS e apoios extraordinários às pensões são "manifestamente insuficientes" perante o volume de impostos cobrado.
A ANAREC promoveu uma ação num posto de abastecimento em Lanhelas, no conselho de Caminha, onde o seu presidente João Durão exigiu uma redução imediata da carga fiscal e o reforço da fiscalização nas zonas de fronteira. Segundo João Durão, "num euro de gasóleo, 60 cêntimos são impostos", uma situação que não se verifica em Espanha, onde os combustíveis chegam a custar entre 30 e 40 cêntimos menos por litro.
A disparidade de preços tem impulsionado travessias diárias de condutores e agricultores para o lado espanhol, incluindo a compra de gasóleo rodoviário mais económico do que o gasóleo agrícola bonificado em Portugal. Perante esta fuga de receitas fiscais para Espanha, a ANAREC anunciou que vai solicitar uma reunião urgente ao Executivo e enviar um pedido de esclarecimentos formal, não descartando novas ações de protesto.




