O governador do banco central alemão, Joachim Nagel, defendeu que as próximas decisões sobre juros na zona euro estarão fortemente dependentes da evolução dos preços da energia, que têm sido o principal impulsionador da inflação no bloco. Em declarações à CNBC no dia seguinte a uma nova subida das taxas diretoras pelo Banco Central Europeu, Nagel afirmou que o futuro das taxas dependerá muito de como os preços da energia evoluirão durante o próximo mês.
O BCE elevou as taxas de juro em 25 pontos base, fixando a taxa de referência em 2,5%, o que representa o segundo aumento este ano e o segundo desde o início da guerra na Ucrânia. Nagel argumentou que esta taxa corresponde ao limite superior do intervalo da taxa neutra, ecoando comentários anteriores do economista-chefe do BCE, Philip Lane, que havia indicado que 2,5% ainda estaria dentro do intervalo estimado para a taxa neutra, ou seja, o valor que não estimula nem restringe a economia.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, desvalorizou o tema da taxa neutra, classificando-a como algo altamente conceptual. No entanto, o mercado interpretou os comentários como um sinal de que os banqueiros europeus estão inclinados para mais aperto monetário, especialmente após a atualização em alta das projeções de inflação para 2027 e 2028, com o indicador a fechar em 2,1% neste último ano, acima do objetivo de médio prazo de 2%.
Nagel recusou comentar quantas subidas prevê até ao final do ciclo, afirmando que é muito cedo para especular. O governor germânico aproveitou também para afastar preocupações relativamente aos baixos níveis de armazenamento de gás natural na Europa, garantindo que a situação não é preocupante e não pode ser comparada à crise de 2022, dado que as opções de fornecimento são agora mais amplas e diversificadas, nomeadamente através de gás natural liquefeito.




