O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, afirmou no dia 9 de setembro que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, agradece a André Ventura o "frete" da moção de censura apresentada pelo Chega, considerando que esta permite ao Governo desviar a atenção do aumento do custo de vida. Pureza falava aos jornalistas à margem de uma visita a uma república de estudantes em Coimbra.
A moção de censura ao Governo PSD/CDS-PP, apresentada pelo Chega contra a manutenção de Luís Neves como ministro da Administração Interna, foi rejeitada na terça-feira com a abstenção do PS, PCP, BE e JPP, tendo PSD, CDS-PP, IL, Livre e PAN votado contra.
Segundo José Manuel Pureza, a moção teve dois efeitos objetivos: garantir que Luís Montenegro não demitisse Luís Neves e dar ao Executivo "mais uns dias" para que se fale "de outra coisa". O coordenador bloquista criticou que nem o Governo nem o Chega pretendem abordar o custo de vida, observando que nas oito páginas da moção não havia "uma única palavra" sobre o assunto.
Pureza alertou também que os juros do Banco Central Europeu vão aumentar, agravando prestações, rendas e preços nos supermercados, e apontou para a manutenção das margens de lucro das grandes distribuidoras e empresas de combustíveis. Relativamente ao suplemento extraordinário para pensionistas e alívio fiscal anunciado por Montenegro, considerou ser uma "saída tática" que ficará "já comida pelos efeitos da subida dos juros", defendendo que o Governo deveria controlar preços e garantir aumentos sustentados para baixos salários e pensões.




