A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel alertou que os fornecedores portugueses podem perder mais de mil trabalhadores nos próximos três anos, segundo declarações do seu presidente, José Couto, ao Jornal de Notícias. A produção mundial de automóveis cresceu 4,2% em 2025, mas a Ásia representou mais de 60% dessa produção e a União Europeia menos de 15%, evidenciando uma transferência da atividade para fora da Europa.
O grupo Volkswagen vendeu cerca de nove milhões de veículos em 2025, mas os seus planos de reestruturação preveem dezenas de milhares de postos de trabalho a menos. O relatório de Mario Draghi de 2024 alertou que as empresas europeias enfrentam preços de eletricidade duas a três vezes superiores aos dos Estados Unidos, enquanto a Agência Internacional da Energia indicou que a China assegurou mais de 80% da produção mundial de células de bateria em 2025.
Em junho de 2026, a Comissão Europeia voltou a apontar a demora dos licenciamentos industriais e as limitações administrativas que atrasam o investimento em Portugal. O editorial critica a tendência de acrescentar exigências nacionais às regras europeias e defende que a rapidez e a previsibilidade dos processos deveriam ser vantagens num país com um mercado pequeno.
O artigo alerta que o encerramento de fábricas numa região pode afetar não apenas os salários, mas também oficinas, cafés, comércio e fornecedores locais. O editorial conclui que a melhor resposta ao populismo não é fingir que os problemas económicos são invenções, mas sim enfrentá-los antes de serem aproveitados por quem vive deles.




