Nunca Fomos Tão Vistos? – Uma reflexão sobre o lugar da psicologia num mundo com pressaFoto de Johanna Meza Hernández no Pexels
CiênciaCoimbra

Nunca Fomos Tão Vistos? – Uma reflexão sobre o lugar da psicologia num mundo com pressa

Campeão das Províncias4 de setembro de 2026 às 14:13

Nunca fomos tão "vistos". A psicologia atingiu um nível de popularidade sem precedentes: fala-se de saúde mental em programas de entretenimento, em anúncios de marcas de roupa, e conceitos clínicos como trauma, vinculação ou diagnósticos como PHDA e Autismo entraram no vocabulário comum. Contudo, a autora identifica um paradoxo central: nunca a psicologia foi tão procurada e, simultaneamente, tão mal compreendida. A popularidade trouxe consigo efeitos secundários, como a perda de precisão dos conceitos clínicos, que passam a explicar tudo e, por isso mesmo, arriscam-se a explicar pouco.

Há duas décadas, admitir que se ia ao psicólogo exigia uma justificação que ninguém pedia ao dentista. Hoje, a terapia ganhou naturalidade comparável à de uma ida ao ginásio, o que a autora considera uma vitória conquistada ao longo de décadas de trabalho silencioso. No entanto, quando conceitos clínicos saem do consultório, ganham alcance mas perdem nuance: um dia mau pode transformar-se em "burnout", uma tristeza passageira torna-se sintoma a tratar, e uma discordância pode parecer "abuso emocional". A autora alerta que desmistificar a psicologia não deveria significar torná-la semelhante a uma conversa entre amigos.

A promessa de rapidez que domina a sociedade atual torna-se traiçoeira quando aplicada à mudança psicológica. A autora sublinha que eficácia não é o mesmo que instantaneidade, e que o tempo em terapia não é um obstáculo burocrático, mas frequentemente o próprio mecanismo de mudança. É necessário tempo para que padrões se tornem visíveis antes de mutáveis, para que a confiança na relação terapêutica se consolide, e para que o alívio inicial se transforme em mudança duradoura. Confundir alívio com mudança é descrito como o erro mais caro da profissão.

A visibilidade que a psicologia ganhou é apresentada como uma revolta legítima contra décadas de silêncio e vergonha, e muitos profissionais que partilham conhecimento publicamente fazem-no com genuína competência. Contudo, a autora inclui-se na reflexão ao admitir que a linha entre desmistificar e performar nem sempre é nítida, e que uma plateia muda quem fala perante ela. A autora conclui que o consultório continua a ser um dos poucos espaços concebidos deliberadamente para o oposto do que caracteriza o mundo exterior: não para ser visto, mas para ser conhecido, não para ser rápido, mas para ter o tempo que for preciso. A reflexão é escrita por uma psicóloga clínica e cofundadora da clínica O Teu Lugar, dedicada ao Dia do Psicólogo.

Notícias relacionadas

Ciência

Fibrose pulmonar idiopática: desconhecimento e diagnóstico tardio continuam a ser desafios

A fibrose pulmonar idiopática (FPI), uma das doenças fibróticas do interstício mais frequentes e graves, apresenta uma expectativa de sobrevivência mediana de apenas 3 a 5 anos após o diagnóstico quando não tratada. No Dia Mundial da Doença, celebrado a 7 de setembro, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia alerta para o desconhecimento da doença e o diagnóstico tardio como principais desafios, sublinhando a necessidade de maior consciencialização para permitir intervenções mais precoces.

PT Jornal04/09/26, 15:23
Ciência

Que espécie é esta: cobra-de-escada

Um leitor encontrou uma cobra em Águeda, Aveiro, a 29 de agosto, e pediu ajuda para identificar a espécie. O herpetólogo Diogo Parrinha respondeu que se trata de uma cobra-de-escada (Zamenis scalaris), completamente inofensiva. Esta espécie pode atingir até 160 centímetros e é a segunda serpente com maior área de distribuição em Portugal, encontrando-se bem distribuída por todo o território continental até aos 800 metros de altitude. É mais visível entre abril e outubro, preferring habitats como azinhais e sobreirais abertos, especialmente em paisagens agrícolas.

Wilder04/09/26, 15:13
Ciência

Que espécie é esta: vespa da família Evaniidae

Uma leitora fotografou um insecto em Monte Gordo, no Algarve, e enviou a imagem para o site Wilder para identificação. O especialista Rui Andrade identificou o animal como uma vespa da família Evaniidae, vespas parasitóides especializadas nas ootecas (casulos de ovos) de baratas. A fêmea deposita os seus ovos dentro das ootecas, onde as larvas se desenvolvem alimentando-se dos ovos das baratas. Os adultos possuem um corpo curto e robusto, com um abdómen pequeno e estreito, e são conhecidos por oscilar o abdómen para cima e para baixo quando activos. Embora possam ser encontrados em habitações, não são conhecidos por picar ou morder humanos.

Wilder04/09/26, 15:03
Ciência

Por que algumas pessoas reagem tão mal às picadas de mosquito? A resposta está na saliva dos insetos

Por que algumas pessoas têm reações piores às picadas de mosquito do que outras? A resposta está na saliva dos insetos e na forma como ela interage com o sistema imune humano. Quando um mosquito pica, ele injeta saliva na pele, e o sistema imune reconhece essa saliva como estranha, liberando histamina — substância química responsável pelos sintomas alérgicos como vermelhidão, inchaço e coceira. No entanto, a saliva do mosquito contém diversos outros compostos biologicamente ativos que interagem com o sistema imune de maneiras mais complexas do que se imaginava, explicando por que algumas pessoas desenvolvem marcas grandes e persistentes enquanto outras quase não percebem as picadas.

extra04/09/26, 15:01