A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que o choque energético resultante do encerramento do estreito de Ormuz "ainda não terminou" e que o desenvolvimento da inteligência artificial está a aumentar a procura por energia. Estas declarações foram feitas na terça-feira, 1 de setembro, no final da reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 em Asheville, na Carolina do Norte. Georgieva referiu que o estreito de Ormuz continua maioritariamente fechado, que as reservas estratégicas de petróleo e gás terão de ser repostas, e que o inverno se aproxima no hemisfério norte.
Georgieva afirmou que a economia global absorveu "melhor do que o previsto" o choque energético, contrapondo-o ao "aumento do investimento em IA", que "impulsionou o crescimento" nos EUA, na Coreia do Sul e noutros países da cadeia de valor, incluindo projetos de produção de eletricidade para cobrir necessidades energéticas. No entanto, salientou que existe uma "divergência significativa" entre as trajetórias económicas e que os riscos para as perspetivas de crescimento mundial, estabilizadas em cerca de 3%, continuam elevados.
Entre os principais riscos enumerados, além da continuação do choque energético, destaca-se o aumento da dívida pública, que, segundo Georgieva, "ultrapassa os máximos registados após a Segunda Guerra Mundial", aproximando-se dos 100% do PIB a nível mundial. A responsável afirmou ainda que o processo de desinflação estagnou em muitos países, que as crescentes pressões fiscais estão a impulsionar as taxas de rentabilidade das obrigações de referência, e que o impacto da IA na produtividade e na estabilidade financeira "está rodeado de incógnitas".
Georgieva enfatizou que as prioridades da política económica "são claras" e instou os bancos centrais a concentrarem-se na estabilidade dos preços e as autoridades fiscais a "acordarem planos credíveis de consolidação a médio prazo". Sublinhou que as políticas estruturais devem concentrar-se na redução da burocracia e na eliminação dos obstáculos ao crescimento, defendendo que um maior potencial de crescimento ajudaria a resolver o problema orçamental e vice-versa.




