O investimento estrangeiro no setor imobiliário português atingiu 1,7 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Banco de Portugal, o que representa uma redução de cerca de 10,5% face aos 1,9 mil milhões de euros registados no mesmo período de 2025. Esta descida ocorre após um período de máximos históricos e levanta questões sobre a atratividade do mercado português.
O contexto geopolítico teve um papel significativo neste abrandamento. O agravamento dos conflitos no Médio Oriente, a continuidade da guerra na Ucrânia, as tensões comerciais e a volatilidade dos preços da energia aumentaram a incerteza económica e tornaram os investidores mais prudentes. O setor imobiliário é particularmente sensível a este tipo de incerteza, dado que envolve investimentos de longo prazo, elevados custos de entrada e menor liquidez.
Além dos fatores externos, a valorização significativa dos ativos portugueses reduziu a vantagem competitiva do país face a destinos como Espanha, Itália e Grécia. O financiamento tornou-se mais caro devido ao aumento das taxas de juro, afetando compradores particulares, promotores e fundos. No primeiro semestre, o investimento direto estrangeiro totalizou 6,7 mil milhões de euros e o stock de investimento estrangeiro em Portugal ascendia a 225,1 mil milhões de euros, equivalentes a 71% do PIB.
O artigo alerta que é prematuro falar numa inversão estrutural, uma vez que o segundo semestre tende a concentrar mais volume de investimento. Portugal mantém argumentos fortes como segurança, qualidade de vida e estabilidade institucional, mas precisa de oferecer maior previsibilidade fiscal e regulatória, processos de licenciamento mais rápidos e uma oferta imobiliária adequada aos critérios internacionais de qualidade e sustentabilidade.




