Portugal pode criar dois a três campeões globais de tecnologia profunda (deep tech) até 2030, segundo o relatório Deep Tech Portugal Outlook 2026, apresentado pela Porto Business School. O estudo identifica Portugal como tendo já ciência, empresas e infraestruturas capazes de sustentar um ecossistema competitivo, mas alerta para o desafio de transformar esse potencial em empresas de escala global que mantenham no país a sede, a propriedade intelectual e a capacidade de decisão.
O relatório identifica quatro bloqueios principais ao desenvolvimento do setor: a falta de capital de crescimento após a Série A, a lentidão na transferência de tecnologia, a escassez de talento nas áreas STEM e a reduzida utilização das compras públicas como primeiro mercado para soluções tecnológicas nacionais. Em 2025, o financiamento de deep tech em Portugal rondou os 400 milhões de euros, cerca de três vezes mais do que em 2018, mas representou apenas cerca de 2% do capital investido na Europa.
O estudo aponta seis áreas com potencial de escala para Portugal: Espaço e Atlântico, Defesa, inteligência artificial, semicondutores e fotónica, saúde e biotecnologia, e economia azul e energia verde. Empresas como a Tekever, Sword Health, Feedzai, Critical Manufacturing e Neuraspace são destacadas como exemplos da capacidade nacional. A PBS recomenda que Portugal não procure replicar os volumes de investimento dos grandes mercados, mas concentre recursos onde se cruzam capacidade científica, indústria e procura europeia.
O relatório propõe seis medidas a concretizar nos próximos 12 a 24 meses, incluindo a criação de um veículo nacional de financiamento de scale-ups, a utilização do Estado como "Cliente Zero" de tecnologia portuguesa, a normalização dos modelos de propriedade intelectual nas universidades, o reforço da capacidade para captar financiamento europeu e o aumento do pipeline de talento STEM. José Esteves, dean da PBS, afirma que Portugal precisa de escolher onde tem ativos reais e aí concentrar capital, talento e procura.




