Há 50 anos, dez casas de madeira com coberturas em fibrocimento foram construídas no bairro de pescadores do Cabedelo, em Darque, Viana do Castelo, para realojar temporariamente famílias afetadas pela construção do porto de mar. O que era para ser uma solução provisória tornou-se permanente, com moradores vivendo nas mesmas habitações durante meio século.
Manuel Augusto, hoje com 81 anos, tinha 31 quando foi realocado naquela zona. Relata que lhe disseram que a estadia seria provisória, mas que continua na mesma casa. Na mesma situação encontram-se Lúcia Pires, sua mulher, Maria da Conceição Bezerra, que vive no bairro há 44 anos, e Alberto Meira, entre outros moradores que cresceram, tiveram filhos e netos nas mesmas habitações.
As casas apresentam problemas de degradação, com umidade no inverno e calor no verão, além de marcas deixadas pelo salitre. Muitos moradores fizeram pequenas reparações ao longo dos anos, mas sem registro de propriedade, não sabem quanto tempo poderão permanecer nas habitações, o que os impede de investir em sua melhoria.
Joaquim Pires está no bairro há quase 50 anos e conta que já viu responsáveis da Câmara Municipal visitarem o local e fotografarem as casas, mas refere que depois "não aconteceu mais nada". A falta de uma solução definitiva mantém os moradores numa situação de incerteza que já dura meio século.




