Dinheiro mais caro está dificultando grandes negócios em PortugalFoto de The Visionary Vows no Pexels
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Dinheiro mais caro está dificultando grandes negócios em Portugal

Jornal Económico4 de setembro de 2026 às 09:05

Os negócios de compra e venda de empresas estão diminuindo significativamente em Portugal. O valor das operações neste ano caiu quase 60% para 5,4 bilhões de euros até agosto, segundo dados da TTR Data, enquanto o número de transações caiu quase 30% para cerca de 330 operações. Entre os compradores estrangeiros em destaque estão os espanhóis com compras na ordem de 380 milhões de euros em 25 transações, seguidos pelos compradores do Reino Unido e do Luxemburgo. No sentido inverso, as empresas portuguesas que compram no exterior direcionaram mais de 1,1 bilhão de euros para o mercado espanhol em 34 transações, seguindo-se o Brasil e a Alemanha. Um dos grandes negócios fechados este ano foi a compra da cimenteira Secil da Semapa pela espanhola Molins por 1,4 bilhão de euros.

Entre as razões para essa desaceleração estão o aumento do custo do financiamento devido à alta das taxas de juros pelo BCE, que voltou a subir em junho e espera-se uma nova elevação em setembro. A guerra no Oriente Médio também pressionou os preços dos combustíveis e impulsionou a inflação, enquanto os juros da dívida soberana voltaram a subir em todo o mundo, com os rendimentos atingindo máximas de 15 anos na Europa. A defasagem das expectativas entre vendedores e compradores, aliada aos ambiciosos planos de negócios que os vendedores pretendem ver cumpridos, constitui outro obstáculo significativo.

O Goldman Sachs já havia alertado no primeiro semestre que a "inflação persistente e volatilidade das taxas de juros" seriam ventos contrários para o restante do ano, podendo levar a um aumento das taxas de juros, elevando o custo do capital e reduzindo a atividade de aquisições. Apesar disso, o primeiro semestre correu bem a nível global, com o volume de fusões e aquisições subindo 48%, e o banco acredita que a tendência pode se manter, com empresas tentando se antecipar a tempos mais difíceis para obter capital.

Um estudo da Roland Berger revelou que mais de 75% dos profissionais do setor antecipam um aumento no volume de fusões e aquisições, com Portugal e Espanha se afirmando como "portos seguros" para o capital internacional.

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