Dois antigos presidentes da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) descartaram uma crise sistêmica devido à atual subida das yields de longo prazo. João Moreira Rato, que liderou o IGCP entre 2012 e 2014 e coordenou o retorno de Portugal aos mercados de dívida após a troika, identificou duas forças principais: preocupações com a sustentabilidade orçamentária dos principais países e uma forte procura de financiamento para infraestruturas tecnológicas, especificamente centros de dados de Inteligência Artificial. Considera ainda que a menor disponibilidade do Fed para monetizar dívida e as intervenções do Tesouro norte-americano, como a duplicação do programa de recompras para pelo menos 4 bilhões de dólares por operação, tendem a ter efeitos apenas temporários.
Cristina Casalinho, presidente do IGCP entre 2014 e 2022, compartilhou a análise de que a dívida pública norte-americana em níveis historicamente elevados é um fator estrutural relevante, salientando dúvidas sobre a capacidade do mercado para absorvê-la. A economista lembrou que compradores tradicionais como a China e o Japão têm reduzido suas aquisições, referindo a intervenção cambial conjunta entre Washington e Tóquio no final de julho, quando os EUA venderam euros para comprar ienes. A dívida americana elevada e a menor procura de compradores tradicionais mantêm as taxas altas, mas o contágio europeu está contido.
Cristina Casalinho considerou improvável uma crise global, argumentando que a capacidade de geração de resultados das empresas permanece muito forte na Europa e nos Estados Unidos. Sublinhou que as empresas estão sólidas, com boa capacidade de geração de caixa, e que os spreads de crédito se mantêm estáveis, inclusive entre Portugal e países como a França, o que indica que não há degradação da qualidade creditícia geral da economia. "O mercado na parte do crédito está bastante sólido e bem ancorado", afirmou.
A economista previu pelo menos mais uma subida de taxas de juros na Europa até o final do ano, notando que o Fed também já sinalizou possibilidade de novos aumentos, embora a subida das taxas longas já em curso reduza a urgência de novas intervenções dos bancos centrais. Em Portugal,




