Portugal integra o grupo de países europeus com maior proporção de empresas que criam valor de forma sustentada para os acionistas, a par da Dinamarca e da Turquía, segundo um estudo da consultora Bain & Company. O relatório, intitulado "Sustained Value Creation: The Test of the Best", identifica as chamadas SVC (sustained value creators) como empresas que combinam retornos acima do custo do capital com crescimento real da faturação de forma consistente. Em sentido oposto, Espanha não regista nenhuma empresa nesta categoria em 2025, apesar de ter tenido SVC ao longo da última década.
Na Europa, apenas 25% das empresas analisadas cumpriram os dois critérios em 2025, mas apenas 0,5% conseguiram fazê-lo ao longo de 10 anos consecutivos. Apenas 34 empresas europeias integram a categoria de SVC em 2025, a maioria das quais não constava na lista de 2015. O estudo mostra que é mais difícil sustentar este desempenho na Europa do que noutras regiões, com apenas 8% das empresas europeias analisadas como SVC, contra 14% nas Américas.
A Bain associa esta dificuldade crescente a uma queda estrutural na rendibilidade das maiores empresas do mundo, cujo retorno anual médio caiu de 18% entre 1990 e 2000 para 9% entre 2015 e 2025. Nesse contexto, os SVC europeus entregaram em média o dobro do retorno das restantes grandes empresas analisadas, com um retorno total médio para o acionista de 13% ao longo de 10 anos. As 47 "all-stars" globais, empresas que mantiveram o estatuto de SVC em todos os anos das últimas duas décadas, registaram um retorno seis vezes superior ao das restantes.
Francisco Montenegro, partner da Bain & Company, afirmou que Portugal surgir entre os mercados com maior concentração de SVC não é um acidente, mas sim o reflexo de empresas que fizeram escolhas estratégicas claras e as mantiveram ao longo do tempo. A consultora atribui o desempenho das SVC a fatores como a gestão criteriosa do mercado e do portefólio, a aposta em ativos e capacidades diferenciadoras, o reforço de posições de liderança e modelos de crescimento replicáveis. O estudo aponta ainda que os mercados europeus de menor




