O ciclo prolongado de capital caro deixou de ser uma questão restrita às decisões financeiras e passou a influenciar a estratégia e a operação das empresas brasileiras. Companhias com caixa e acesso a financiamento conseguem alongar dívidas, investir em produtividade e testar novos caminhos, enquanto as demais concentram recursos na operação corrente e perdem espaço para preparar o próximo ciclo.
Os indicadores mostram a dimensão da pressão. Segundo a Serasa Experian, o Brasil superou 9,1 milhões de empresas inadimplentes em junho de 2026, o maior número da série histórica, com dívidas negativadas chegando a R$ 232,9 bilhões.
As micro e pequenas empresas eram as mais afetadas, respondendo por 8,6 milhões dos CNPJs em atraso e concentrando R$ 201,4 bilhões desse total, quase 95% do valor total negativado.
A recuperação judicial surge quando a pressão já não cabe nas negociações usuais. O país encerrou 2025 com 2.466 CNPJs envolvidos nesses processos, recorde da série histórica da Serasa Experian e avanço de 13% em relação ao ano anterior.




