Quando os algoritmos criam problemas jurídicosFoto de Rashed Paykary no Pexels
Tecnologia
Инвестиции
Санкции

Quando os algoritmos criam problemas jurídicos

Eco1 de setembro de 2026 às 10:11

A Meta chegou a um acordo que pode custar-lhe cerca de 17 bilhões de dólares, pondo fim a uma parte relevante da litigância sobre os efeitos do Facebook e do Instagram em menores. O acordo obriga a alterações nas plataformas, incluindo limites de utilização, bloqueio noturno, restrições às notificações e a opção por um feed não personalizado. O autor analisa este processo como exemplo de um dos efeitos dos algoritmos nas redes sociais: a captura da atenção. Os algoritmos aprendem com o comportamento dos utilizadores, mas conhecer a atenção não é conhecer a vontade, podendo ler comportamentos como preferências e dar mais do mesmo.

O problema estende-se muito além das redes sociais. Algoritmos já apoiam diagnósticos clínicos, avaliam risco de crédito, selecionam candidatos a emprego, ajustam preços, detectam fraude e estabelecem prioridades em sistemas de segurança. É na tradução de objetivos legítimos em dados, critérios e métricas que podem surgir problemas jurídicos. Um algoritmo de recrutamento pode reproduzir discriminações do passado, um modelo de crédito pode desfavorecer determinados grupos, e sistemas clínicos podem ser menos fiáveis para populações pouco representadas nos dados.

O autor defende que a intenção não resolve o problema: um algoritmo pode cumprir exatamente o objetivo para que foi criado e produzir efeitos juridicamente problemáticos que ninguém pretendeu. À medida que os algoritmos entram no funcionamento corrente de empresas de todos os setores, aumentam as possibilidades de erros, discriminações ou outros efeitos imprevistos sobre direitos, patrimônio, saúde, oportunidades ou segurança. A utilização de algoritmos é também um problema de gestão de risco, exigindo que as empresas expliquem riscos antecipados, dados e critérios utilizados, testes realizados e mecanismos de mitigação.

O AI Act procura antecipar alguns destes problemas, mas a comparação com os Estados Unidos é enganosa. Nos EUA, a regulação faz-se também através de reguladores, tribunais, responsabilidade civil e acordos que impõem alterações concretas aos produtos. O autor defende que a próxima grande onda de litigância em massa será em torno dos algoritmos, e que em Portugal, onde a ação popular favorece a litigância coletiva, um erro de desenho pode rapidamente transformar-se num processo contra uma empresa em nome de milhares de pessoas. Conclui que muitas das decisões que amanhã terão de explicar a um regulador ou tribunal estão hoje a ser tomadas por quem desenha os algoritmos.

Notícias relacionadas

Tecnologia

VMware leva Nemotron, Gemma, Qwen e GLM para sua nuvem privada de IA

A Broadcom anunciou na VMware Explore 2026 a ampliação das capacidades de inteligência artificial da VMware Cloud Foundation (VCF), com a validação de modelos de organizações como NVIDIA, Google DeepMind, NEC, Alibaba Cloud e Z.ai. Os modelos validados incluem o Nemotron 3, Gemma 4, cotomi, Qwen3.8-27B e GLM 5.2, permitindo que empresas executem mais de 150 modelos abertos em suas próprias infraestruturas privadas. A plataforma é compatível com tecnologias AMD, Intel e NVIDIA, combinando máquinas virtuais tradicionais com agentes de IA na mesma infraestrutura. A iniciativa responde à tendência de 56% das empresas que já utilizam ou planejam implementar inferência de IA em nuvens privadas, oferecendo maior controle sobre dados, custos e privacidade.

Notícias Portugal01/09/26, 12:17
Basta um email para abrir a porta: ameaça cresce nos sistemas industriais e Sul da Europa está na linha da frente
Tecnologia

Basta um email para abrir a porta: ameaça cresce nos sistemas industriais e Sul da Europa está na linha da frente

De acordo com o relatório da Kaspersky ICS CERT, 8,76% dos computadores com sistemas de controlo industrial (ICS) no Sul da Europa bloquearam scripts maliciosos e páginas de phishing entre abril e junho, representando a percentagem mais elevada entre todas as regiões analisadas. O artigo alerta para o crescente perigo dos ataques por email nos sistemas industriais, evidenciando que esta região está particularmente vulnerável a este tipo de ameaças cibernéticas.

SAPO01/09/26, 11:21
Tecnologia

Da inteligência artificial à soberania digital: Europa tem de acelerar para cumprir metas até 2030

A Europa está a precisar de acelerar significativamente para cumprir as suas metas de transformação digital até 2030. Embora Portugal se destaque no desenvolvimento de chatbots com inteligência artificial, o continente enfrenta desafios importantes relacionados com a implementação de serviços públicos transfronteiriços e a dependência tecnológica de forasteiros. A União Europeia reconhece que, apesar do progresso na digitalização, ainda está longe de ter os principais serviços públicos totalmente disponíveis online dentro do prazo estabelecido, sendo necessária uma ação coordenada para garantir a soberania digital do bloco.

SAPO Tek01/09/26, 11:21
Tecnologia

Revolut lança assistente de Inteligência Artificial "AIR" na Europa

A Revolut anunciou o lançamento na Europa, incluindo Portugal, do assistente de inteligência artificial AIR (AI by Revolut), uma ferramenta integrada na aplicação para gestão de finanças pessoais, investimentos e planeamento de viagens. Com mais de 80 milhões de clientes globalmente, a empresa pretende substituir a navegação tradicional por menus por uma interface conversacional. O assistente permite consultar despesas, acompanhar carteiras de investimento, gerir subscrições, bloquear cartões e, no âmbito das viagens, gerar itinerários personalizados e resgatar pontos de fidelização para dados eSIM e acessos a salas lounge. A Revolut garante uma política de zero retenção de dados, assegurando que as informações dos utilizadores não são armazenadas por parceiros externos nem utilizadas para treino de modelos de IA de terceiros.

Jornal Económico01/09/26, 11:15