Durante muitos anos, Portugal alcançou o objetivo de se afirmar como destino turístico de excelência, sendo hoje reconhecido pela qualidade da oferta, segurança, patrimônio, gastronomia, clima e hospitalidade. Contudo, o sucesso traz novos desafios: o maior desafio do turismo português pode já não ser atrair mais visitantes, mas sim garantir que o país continua a ser um bom lugar para viver.
O turismo é uma atividade essencial para a economia nacional, criando empregos, dinamizando empresas, recuperando patrimônio e promovendo territórios. A questão central levantada no artigo é como garantir que o crescimento turístico cria valor sem comprometer a qualidade de vida das comunidades que tornam cada destino único.
O artigo defende que a sustentabilidade turística precisa ir além da dimensão ambiental e passar a incluir a sustentabilidade social. Isso implica pensar na mobilidade, moradia, ordenamento do território, capacidade de carga dos destinos, valorização do comércio local e distribuição dos fluxos turísticos por diferentes regiões e estações. Apela também ao envolvimento dos moradores nas decisões sobre o desenvolvimento turístico e à necessidade de medir o sucesso não apenas pelo número de visitantes, mas também pelo benefício que as comunidades locais sentem.
O artigo conclui que o futuro do turismo português dependerá da capacidade de encontrar equilíbrio entre a necessidade de turistas e a manutenção de cidades vivas, comunidades fortes e territórios onde as pessoas queiram continuar a viver. Como refere João Paulo Rodrigues, diretor da Graduação em Turismo da Universidade Europeia, não há grandes destinos turísticos sem comunidades que tenham orgulho em lhes chamar casa.




