Um estudo da Deloitte, a "Gen Z and Millennial Survey 2026", inquiriu 22.595 pessoas em 44 países, incluindo 406 participantes em Portugal divididos entre Geração Z e Millennials. Os dados revelam que os jovens portugueses preferem bem-estar e estabilidade em detrimento de cargos de liderança. Apenas 6% da Geração Z e 4% dos Millennials apontam a chegada a uma posição de liderança como principal objetivo profissional, apesar de 63% e 61%, respetivamente, admitirem que gostariam de assumir responsabilidades de liderança em algum momento. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é a prioridade para 28% da Geração Z e 32% dos Millennials, seguido da independência financeira e da estabilidade no emprego. Margarida Sousa Uva, da Deloitte, resume que os jovens "continuam ambiciosos, mas estão a redefinir o conceito de sucesso profissional".
O custo de vida é a principal preocupação para 51% da Geração Z e 50% dos Millennials portugueses, condicionando as suas decisões profissionais. As dificuldades financeiras já estão a alterar planos de vida: 57% dos jovens da Geração Z e 65% dos Millennials adiaram decisões importantes como constituir família, prosseguir estudos ou mudar de carreira. A habitação é outro fator condicionante, com 81% da Geração Z e 78% dos Millennials a afirmarem que a acessibilidade da habitação influencia as suas decisões de carreira. Mais de metade da Geração Z (57%) considera que não consegue suportar a compra de uma casa, e 46% dos Millennials têm dificuldade em suportar todas as despesas mensais.
Os níveis de stress são elevados: 46% tanto da Geração Z como dos Millennials sentem-se permanentemente stressados. Os longos horários de trabalho são apontados como principal fator de stress (65% na Geração Z e 60% nos Millennials), seguidos da falta de reconhecimento e das culturas organizacionais tóxicas. Entre os que não estão interessados em cargos de liderança, 49% dariam prioridade a um salário mais elevado para reconsiderar. Contudo, 31% da Geração Z e 39% dos Millennials já desempenham funções de gestão ou supervisionam equipas em Portugal.
A inteligência artificial já faz parte do trabalho diário de 68% dos jovens portugueses, sendo utilizada principalmente para identificar oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento. No entanto, apenas 20% da Geração Z e 19% dos Millennials concluíram formação em IA, abaixo da média global. Quanto ao propósito, 95% da Geração Z e 98% dos Millennials consideram-no importante para a realização profissional, mas apenas 46% e 43%, respetivamente, sentem que o trabalho atual está alinhado com os seus valores. As relações no trabalho também são valorizadas: 60% dos jovens das duas gerações




