Takhi, o cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia
Jornal Económico29 de agosto de 2026 às 20:00
O takhi, conhecido internacionalmente como cavalo-de-Przewalski, é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem que sobrevive até hoje, distinguindo-se geneticamente do cavalo doméstico por ter 66 cromossomas em vez de 64. Na Mongólia, o animal é um dos principais símbolos nacionais, aparecendo em roupas, pelúcias e marcas comerciais. O nome Przewalski foi dado após o explorador russo Nikolai Przhevalsky enviar espécimes encontrados na Ásia Central para cientistas europeus no final do século XIX.
A descoberta pelos europeus despertou rapidamente o interesse de colecionadores e jardins zoológicos. Entre 1897 e 1903, expedições capturaram 88 cavalos na Mongólia, mas apenas 54 chegaram vivos ao destino e apenas 12 deixaram descendentes. Enquanto isso, a população selvagem continuava a diminuir até que o último takhi selvagem foi avistado em 1968, levando à declaração da espécie como extinta na natureza. Na década de 1970, uma organização de conservacionistas neerlandeses iniciou um programa de reprodução em cativeiro para reorganizar e ampliar a população.
Em 5 de junho de 1992, 15 cavalos chegaram à Mongólia para iniciar a reintrodução em Hustai, e até o ano 2000 foram realizadas cinco operações de transporte com 84 animais. Os cavalos passaram por um período de adaptação em áreas cercadas antes de serem soltos definitivamente, pois tinham esquecido como lidar com neve e lobos após gerações na Europa. O processo foi
O cavalo é um dos principais símbolos do país. Pode ser visto em roupas, peluches, pintado em muros e ilustrando marcas comerciais. Trazê-lo de volta ao território é devolver uma fonte de orgulho nacional, diz o diretor do parque, Dashpurev Tserendeleg. “Takhi significa respeito e adoração. Fala do espírito livre e da resistência. São cavalos, animais muito especiais para os mongóis”, disse Tserendeleg à Agência Brasil.
Conhecido internacionalmente como cavalo-de-Przewalski, o animal recebeu este nome depois de o explorador russo Nikolai Przhevalsky enviar espécimes encontrados na Ásia Central para cientistas europeus, no final do século XIX.
O takhi é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem que sobrevive até hoje. Outros animais chamados de cavalos selvagens são, na realidade, descendentes de cavalos domesticados que voltaram a viver livres na natureza.
Geneticamente, o takhi também se diferencia do cavalo doméstico: tem 66 cromossomas, contra 64 dos animais domesticados. É um pouco mais pequeno, tem o focinho mais claro e uma cauda menos espessa.
Da captura à extinção
A descoberta do animal pelos europeus despertou rapidamente o interesse de colecionadores e de jardins zoológicos. Entre 1897 e 1903, expedições capturaram 88 cavalos na Mongólia. Apenas 54 chegaram vivos ao destino e somente 12 deixaram descendentes.
Enquanto isso, a população selvagem continuava a desaparecer. O último takhi foi avistado na Mongólia em 1968. Depois, não houve novos registos, e a espécie foi declarada extinta na natureza. A sobrevivência passou então a depender dos descendentes mantidos fora do seu habitat original.
Na década de 1970, uma organização criada por conservacionistas neerlandeses iniciou um programa de reprodução para reorganizar e ampliar a população em cativeiro.
Os animais foram transferidos para reservas com condições mais próximas da vida selvagem, e cientistas passaram a planear o retorno à Mongólia, em parceria com a Associação Mongol para a Conservação da Natureza e do Meio Ambiente.
Em 5 de junho de 1992, 15 cavalos chegaram à Mongólia para iniciar a reintrodução em Hustai. Até ao ano 2000, foram realizadas cinco operações de transporte, que levaram 84 animais ao país.
Antes de serem soltos definitivamente, os cavalos passaram por um período de adaptação em áreas cercadas. “Eles tinham passado algumas gerações na Europa e em outros lugares com clima muito mais ameno e praticamente tinham esquecido tudo: o que era neve, o que era um lobo”, disse o diretor. “Se fossem soltos diretamente na natureza, não sobreviveriam”.
O processo de adaptação funcionou. A população cresceu e passou a reproduzir-se livremente nas estepes. Além dos mais de 300 animais que vivem no parque nacional, há duas populações reintroduzidas em outras áreas protegidas da Mongólia, elevando o total do país a cerca de 800 animais.
Para Dashpurev Tserendeleg, o caso mostra que a cooperação internacional pode evitar o desaparecimento definitivo de uma espécie. O parque, criado em torno do projeto de reintrodução, abriga hoje uma das três populações do animal no país. “Esse é o nosso maior sucesso. É algo de que temos muito orgulho: o povo mongol e nossos colegas internacionais conseguiram salvar esse grande mamífero da extinção total e dar a ele um bom futuro”, disse o diretor.
Hustai National Park/Divulgação
Desafios para manutenção
Com 50 mil hectares, Hustai é um dos menores parques nacionais da Mongólia. A área é gerida por uma organização não governamental, sem subsídios regulares do Estado. Cerca de 90% da sua receita vem do turismo.
A conservação do takhi nas próximas décadas está diretamente ligada à proteção das estepes, cada vez mais pressionadas pelas alterações climáticas e pelo aumento do número de animais domésticos, que pressionam o solo já degradado.
A Mongólia tem hoje cerca de 58 milhões de animais de rebanho, segundo o Censo 2025 do Gabinete Nacional de Estatísticas. São principalmente ovelhas, cabras, vacas e cavalos. O excesso de animais em determinadas áreas, combinado com secas e invernos extremos, tem provocado degradação dos pastos.
A proteção e restauração da terra são temas centrais na 17.ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está a ser realizada em Ulan Bator, capital do país. O evento reúne governos para discutir formas de combater a desertificação, restaurar terras degradadas e fortalecer a resiliência diante da seca.
No entorno do parque, a estratégia tem sido tentar criar alternativas económicas para as famílias nómadas, reduzindo a dependência exclusiva da pecuária e, consequentemente, a pressão para aumentar os rebanhos.
O parque apoia iniciativas como turismo comunitário, agricultura em estufas e artesanato. “Se os pastores tiverem outras fontes de rendimento, não precisarão de aumentar tanto o número de animais”, explicou Tserendeleg. “Se a natureza estiver bem protegida, o parque também estará mais protegido”.
Texto de Rafael Cardoso* – Enviado Especial da Agência Brasil e texto gentilmente cedido pela Agência Brasil
Um estudo da Concordia University analisou o ciclo de vida completo de T-shirts de algodão e poliéster, descobrindo que a forma mais eficaz de reduzir a pegada de carbono da moda não é escolher o tecido certo, mas sim usar as peças por mais tempo e mudar a forma como são transportadas. Trocar o transporte aéreo pelo marítimo pode reduzir a pegada de carbono de uma T-shirt entre 30% e 60%; dobrar a vida útil de uma peça pode reduzir as emissões associadas a cerca de metade. Isto significa que comprar menos e usar durante mais tempo é mais importante do que simplesmente escolher entre algodão e poliéster. O estudo indica que as maiores oportunidades para reduzir o impacto ambiental da indústria da moda estão em produzir menos roupa, criar peças mais duráveis e, quando possível, substituir o transporte aéreo pelo marítimo.
Uma mulher de Queensland, na Austrália, deu à luz em novembro de 2025 dois gémeos que partilharam a mesma gestação mas não têm qualquer progenitor biológico em comum. O caso, descrito como único e sem precedentes conhecidos na Austrália, ocorreu depois de a mulher, identificada pelas iniciais DZ, engravidar naturalmente enquanto se submetia simultaneamente a um tratamento de fertilidade para atuar como barriga de aluguer de outro casal. DZ, que já tinha cinco filhos, concordou em setembro de 2024 ser barriga de aluguer para BNJ e DRJ, um casal que tinha recorrido a tratamentos de fertilidade.
Cientistas reanalisaram pegadas fossilizadas de hominídeo com aproximadamente 1,43 milhões de anos, descobertas em Koobi Fora, no Quênia, e revelaram novas informações sobre o Paranthropus boisei, conhecido como "Homem Quebra-nozes". O estudo lança nova luz sobre a locomoção e características físicas desta espécie ancestral, proporcionando uma visão mais detalhada de um momento específico na evolução humana.
Uma equipe internacional de cientistas realizou a análise global mais completa até a data e concluiu que a diversidade genética das populações de espécies selvagens está perdendo-se a um ritmo sem precedentes em todo o mundo. No entanto, os pesquisadores identificaram alguns vestígios de esperança, acreditando que os esforços de conservação podem ainda reverter essa tendência.