Trocar o avião pelo navio pode fazer mais pela pegada de uma T-shirt do que mudar de tecidoFoto de José Eduardo Barrios Bañuelos no Pexels
Ciência

Trocar o avião pelo navio pode fazer mais pela pegada de uma T-shirt do que mudar de tecido

Jornal Económico29 de agosto de 2026 às 19:53

A indústria da moda rápida assenta num modelo de produção acelerada, peças baratas e ciclos de utilização cada vez mais curtos. Uma nova análise ao ciclo de vida das T-shirts, liderada por investigadores da Concordia University, mostra que há formas relativamente simples de reduzir o impacto ambiental deste modelo — e que algumas delas dependem mais do tempo que uma peça permanece no armário do que do material de que é feita.

O estudo analisou o percurso completo de T-shirts de algodão e poliéster, desde a produção das matérias-primas e fabrico na China até ao transporte, utilização pelos consumidores em Montreal e destino final das peças. Os resultados mostram que as T-shirts de poliéster apresentam maiores emissões de gases com efeito de estufa do que as de algodão, devido à produção de fibras sintéticas que depende de mais energia e combustíveis fósseis. Por outro lado, o algodão tem um impacto particularmente elevado no consumo de água e ocupação do solo.

Uma das variáveis com maior impacto identificadas pelos investigadores foi o transporte. Quando as peças são transportadas por avião, as emissões aumentam de forma significativa, e substituir o transporte aéreo pelo marítimo poderia reduzir a pegada de carbono de uma T-shirt entre cerca de 30% e 60%. Os investigadores concluíram ainda que duplicar o tempo de vida de uma peça pode reduzir aproximadamente para metade as emissões associadas à sua utilização, o que torna a duração das peças mais relevante do que a escolha entre algodão e poliéster.

O estudo sugere que as maiores oportunidades de redução estão em três frentes: produzir menos roupa, fabricar peças pensadas para durar mais e substituir o transporte aéreo por alternativas com menores emissões. Para reduzir o impacto climático da roupa, comprar menos e usar durante mais tempo pode ter um efeito maior do que concentrar toda a atenção na escolha entre materiais.

A indústria da moda rápida assenta num modelo de produção acelerada, peças baratas e ciclos de utilização cada vez mais curtos. Mas uma nova análise ao ciclo de vida das T-shirts mostra que há formas relativamente simples de reduzir o impacto ambiental deste modelo — e que algumas delas dependem mais do tempo que uma peça permanece no armário do que do material de que é feita.

O estudo, liderado por investigadores da Concordia University, analisou o percurso completo de T-shirts de algodão e poliéster, desde a produção das matérias-primas e fabrico na China até ao transporte, utilização pelos consumidores em Montreal e destino final das peças. Os investigadores testaram ainda diferentes cenários para perceber em que etapas seria possível obter as maiores reduções de impacto.

Os resultados mostram diferenças importantes entre os dois materiais. As T-shirts de poliéster apresentam, no cenário de referência, maiores emissões de gases com efeito de estufa do que as de algodão. A razão está sobretudo na produção das fibras sintéticas, que depende de mais energia e de combustíveis fósseis.

O algodão, por outro lado, tem um impacto particularmente elevado no consumo de água e ocupação do solo, devido aos recursos necessários para cultivar a matéria-prima.

Mas a conclusão mais relevante do estudo não está propriamente na comparação entre algodão e poliéster. Está no que acontece depois.

O transporte pode mudar significativamente a pegada de uma T-shirt

Uma das variáveis com maior impacto identificadas pelos investigadores foi o transporte. Quando as peças são transportadas por avião, as emissões aumentam de forma significativa.

Substituir o transporte aéreo pelo transporte marítimo poderia reduzir a pegada de carbono de uma T-shirt entre cerca de 30% e 60%, dependendo de ser produzida em algodão ou poliéster.

É uma diferença que ajuda a explicar por que razão a localização e a logística da produção são tão importantes para a pegada ambiental da moda. Uma peça pode ser produzida a milhares de quilómetros do consumidor e atravessar diferentes etapas da cadeia de abastecimento antes de chegar à loja.

Ainda assim, há outra variável que pode ter um peso ainda maior: a duração da peça.

Usar mais tempo pode ser mais importante do que escolher o tecido

Os investigadores concluíram que duplicar o tempo de vida de uma peça pode reduzir aproximadamente para metade as emissões associadas à sua utilização. A explicação é simples: se uma T-shirt é utilizada durante o dobro do tempo, é necessário produzir menos peças para proporcionar a mesma quantidade de roupa ao consumidor.

É uma conclusão particularmente relevante para o modelo de fast fashion, baseado precisamente na renovação frequente do guarda-roupa e na substituição rápida das peças.

Por isso, para reduzir o impacto climático da roupa, comprar menos e usar durante mais tempo pode ter um efeito maior do que concentrar toda a atenção na escolha entre algodão e poliéster.

O estudo sugere assim que as maiores oportunidades de redução estão em três frentes: produzir menos roupa, fabricar peças pensadas para durar mais e substituir o transporte aéreo por alternativas com menores emissões, sempre que possível.

A investigação foi realizada pela Concordia University e analisou o ciclo de vida das T-shirts desde a produção dos materiais e fabrico na China até ao transporte, utilização e fim de vida no Canadá. A análise foi divulgada pelo portal científico Phys.org, com base no trabalho dos investigadores da universidade.

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