Em Portugal, este está sendo o ano das medusas-do-TejoFoto de Ryutaro Tsukata no Pexels
CiênciaAçores

Em Portugal, este está sendo o ano das medusas-do-Tejo

Wilder28 de agosto de 2026 às 17:30

Em Portugal, desde o início do ano, a medusa-do-Tejo (Catostylus tagi) tem sido a espécie de gelatinosos mais avistada, representando mais de 60% de todos os registros recebidos pelo projeto GelAvista. Esta é uma espécie de grandes dimensões, que se distingue pelos oito braços orais espessos em forma de cachos de uva, onde se localizam as células urticantes, e pelas gônadas em cruz visíveis através da sua campânula. A caravela-portuguesa surge como a segunda espécie mais observada, com 15% dos registros, seguida da veleiro com cerca de 6%.

O GelAvista, projeto que há dez anos reúne e estuda informações sobre medusas e outros organismos gelatinosos na costa portuguesa, obteve registros de 3955 observadores. Historicamente, a medusa-do-Tejo era a segunda espécie mais registrada, com a maioria dos avistamentos concentrados no estuário do Tejo. Em 2025, representou apenas 14% dos registros, sendo a caravela-portuguesa a espécie mais observada nesse ano. Este ano, porém, verifica-se uma alteração significativa: 60% dos avistamentos de medusa-do-Tejo ocorreram no estuário do Sado e na zona costeira adjacente, tratando-se da primeira vez em dez anos de GelAvista que esta região concentra a maioria dos registros.

Segundo Antonina dos Santos, responsável pelo GelAvista, muitos avistamentos correspondem a grandes agregações, com mais de 100 indivíduos num único registro. Os dados sugerem que a produção de medusas desta espécie foi substancialmente superior no Sado em relação às demais regiões do país. No entanto, devido à proximidade entre o Sado e o Tejo, ainda não foi possível identificar qual variável ambiental pode ter desencadeado esta produção excepcional apenas no estuário do Sado. A caravela-portuguesa tem sido avistada apenas ocasionalmente, sobretudo nos Açores, e os avistamentos de veleiro e medusa-tambor foram muito raros.

Desde o início do ano, a medusa-do-Tejo (Catostylus tagi) tem sido a espécie de gelatinosos mais avistada em Portugal, em especial no estuário do Sado e na zona costeira adjacente, contou à Wilder Antonina dos Santos, do projeto GelAvista.

Há já dez anos que o GelAVista reúne e estuda informação sobre as espécies de medusas e de outros organismos gelatinosos na costa portuguesa. Desde então o projeto obteve registos de 3955 observadores, muitos deles turistas e estrangeiros residentes em Portugal.

O verão é a estação do ano quando se regista o pico de avistamentos de medusas-do-Tejo e de medusas-tambor. Já no inverno e na primavera são mais frequentes outras espécies de gelatinosos, como a caravela-portuguesa e a veleiro.

“Os picos refletem tanto a abundância natural das espécies nas águas portuguesas como a maior presença de pessoas nas zonas costeiras. Por isso, é habitual observar um aumento de registos na primavera e verão”, explicou Antonina dos Santos.

Este ano está a ser o ano das medusas-do-Tejo. Esta é uma espécie de grandes dimensões, que se distingue pelos oito braços orais espessos em forma de cachos de uva, onde se localizam as células urticantes, e pelas gónadas (órgãos sexuais) em cruz, visíveis através da sua campânula.

Avistada em tons acastanhados ou brancos e, por vezes, até azulados ou rosados, a medusa-do-Tejo acaba, muitas vezes, arrojada nas praias, dada a sua incapacidade de contrariar a força das correntes e marés.

“Desde o início do ano, a medusa‑do‑Tejo tem sido a espécie mais avistada, representando mais de 60% de todos os avistamentos recebidos”, contou Antonina dos Santos à Wilder. “A caravela‑portuguesa surge como a segunda espécie mais observada (15%), seguida da veleiro, com cerca de 6% dos registos.”

Segundo a responsável, a principal diferença relativamente aos anos anteriores está na elevada quantidade de avistamentos de medusa‑do‑Tejo.

“Historicamente, esta espécie é a segunda mais registada no GelAvista, com a maioria dos avistamentos concentrados no estuário do Tejo e sua zona de influência. Em 2025, a medusa‑do‑Tejo representou apenas 14% dos avistamentos, sendo a caravela‑portuguesa a espécie mais observada nesse ano.”

Este ano, porém, verifica‑se uma alteração significativa. “A maioria dos avistamentos de medusa‑do‑Tejo ocorreu no estuário do Sado e na zona costeira adjacente”, informou Antonina dos Santos.

Já a caravela‑portuguesa tem sido avistada apenas ocasionalmente, sobretudo nos Açores, ao contrário de anos anteriores, em que era mais frequente.

Além disso, “os avistamentos de veleiro e medusa‑tambor foram muito raros”.

Sado concentra, pela primeira vez, a maioria dos registos

Este ano, 60% dos avistamentos de medusa‑do‑Tejo ocorreram no estuário do Sado e na zona costeira adjacente. Esta é “a primeira vez em 10 anos de GelAvista que esta região concentra a maioria dos registos”, salientou.

Além disso, muitos avistamentos correspondem a grandes agregações, com mais de 100 indivíduos num único registo.

“Em contraste, os avistamentos provenientes do estuário do Tejo e zona costeira adjacente representam apenas 19%, valor semelhante ao registado na ria de Aveiro.”

Segundo Antonina dos Santos, “estes dados sugerem que a produção de medusas desta espécie foi substancialmente superior no Sado face às restantes regiões do país”.

Mas devido à proximidade entre o Sado e o Tejo, ainda não foi possível identificar que variável ambiental poderá ter desencadeado esta produção excecional apenas no Sado.


Agora é a sua vez.

Se observar um gelatinoso, pode enviar uma mensagem para o email do projeto ([email protected]) ou através das redes sociais. Para que um avistamento seja validado é necessário saber o local, a data, a hora e quantos indivíduos aproximadamente foram observados, bem como adicionar uma fotografia que permita a correta identificação da espécie. Pode também utilizar as apps do GelAvista, no telemóvel. Saiba mais aqui.

Saiba aqui qual a diferença entre medusas e alforrecas.

O conteúdo Em Portugal, este está a ser o ano das medusas-do-Tejo também está disponível em Wilder.

Notícias relacionadas

Mulher australiana dá à luz gémeos sem qualquer laço biológico
Ciência

Mulher australiana dá à luz gémeos sem qualquer laço biológico

Uma mulher de Queensland, na Austrália, deu à luz em novembro de 2025 dois gémeos que partilharam a mesma gestação mas não têm qualquer progenitor biológico em comum. O caso, descrito como único e sem precedentes conhecidos na Austrália, ocorreu depois de a mulher, identificada pelas iniciais DZ, engravidar naturalmente enquanto se submetia simultaneamente a um tratamento de fertilidade para atuar como barriga de aluguer de outro casal. DZ, que já tinha cinco filhos, concordou em setembro de 2024 ser barriga de aluguer para BNJ e DRJ, um casal que tinha recorrido a tratamentos de fertilidade.

ZAP Notícias29/08/26, 18:30
Ciência

"Um momento no tempo". Pegadas fósseis lançam nova luz sobre o "Homem Quebra-nozes"

Cientistas reanalisaram pegadas fossilizadas de hominídeo com aproximadamente 1,43 milhões de anos, descobertas em Koobi Fora, no Quênia, e revelaram novas informações sobre o Paranthropus boisei, conhecido como "Homem Quebra-nozes". O estudo lança nova luz sobre a locomoção e características físicas desta espécie ancestral, proporcionando uma visão mais detalhada de um momento específico na evolução humana.

CNN Portugal29/08/26, 18:00
Diversidade genética está a diminuir a um ritmo sem precedentes, mas há réstias de esperança
Ciência

Diversidade genética está diminuindo em um ritmo sem precedentes, mas há vestígios de esperança

Uma equipe internacional de cientistas realizou a análise global mais completa até a data e concluiu que a diversidade genética das populações de espécies selvagens está perdendo-se a um ritmo sem precedentes em todo o mundo. No entanto, os pesquisadores identificaram alguns vestígios de esperança, acreditando que os esforços de conservação podem ainda reverter essa tendência.

SAPO29/08/26, 17:30
Ciência

Pássaro 'garanhão' salva espécie rara da extinção quase sozinho no Reino Unido

Um macho de tartaranhão-caçador (Circus pygargus) de 10 anos, batizado de AU (símbolo químico do ouro), tornou-se o salvador improvável da espécie no Reino Unido, tendo gerado 16 filhotes ao longo da vida, sendo dez apenas nos últimos dois anos. Ambientalistas britânicos lutam há décadas para evitar a extinção local da ave de rapina migratória, que passa o inverno na África e na Ásia e retorna à Europa na primavera para se reproduzir. O biólogo Mark Thomas, da RSPB, afirmou que o pássaro está "solo sustentando essa espécie no Reino Unido", destacando que ele está no auge de sua atividade reprodutiva.

extra29/08/26, 17:00