Le Portugal veut doubler la capacité de stockage d'énergie d'ici 2030, établissant une trajectoire de croissance qui prévoit 6,9 GW de capacité en 2030 et 9,76 GW en 2040. L'objectif est de répondre à l'un des principaux défis de la transition énergétique : garantir que l'électricité produite à partir de sources renouvelables, surtout solaire et éolienne, puisse être utilisée lorsqu'elle est nécessaire, même lorsque la production varie en fonction des conditions météorologiques. Le plan a été élaboré sur la base d'études techniques réalisées par l'INESC TEC, l'INESC-ID et l'IN+ et vise à cadrer le rôle du stockage dans l'évolution du système énergétique portugais.
La stratégie ne repose pas sur une seule technologie, combinant des solutions de mise en œuvre plus rapide et avec des cycles de vie plus courts, comme les batteries, avec des projets de plus grande envergure et de plus longue durée, notamment les systèmes de pompage hydroélectrique. Cette combinaison devrait permettre de répondre à des besoins différents, de la gestion des fluctuations quotidiennes de la production renouvelable jusqu'au stockage de volumes d'énergie plus importants pendant des périodes prolongées. L'ENAE prévoit également de créer des conditions économiques et réglementaires pour que le stockage puisse participer de manière plus effective au marché de l'électricité et aux services système.
Le renforcement du stockage a également une dimension stratégique, permettant de diminuer l'utilisation des centrales au gaz naturel et, par conséquent, de réduire l'exposition du pays aux importations de combustibles fossiles. La ministre de l'Environnement et de l'Énergie, Maria da Graça Carvalho, a déclaré que la plus grande capacité de stockage favorise une plus grande compétitivité sur le marché de l'énergie et la diminution progressive de l'énergie produite par les centrales à gaz naturel à cycle combiné. Selon la responsable gouvernementale, cette évolution crée les conditions pour une énergie plus accessible, moins chère et propre, contribuant à la décarbonation et au renforcement de la souveraineté énergétique portugaise.
La Stratégie nationale de stockage d'énergie est composée du Plan d'action, qui définit les objectifs et les mesures jusqu'en 2040, et de l'Étude technique correspondante. La consultation publique est disponible via la plateforme Participa.pt et se déroulerait pendant 20 jours, permettant aux citoyens, aux entreprises et aux associations de présenter des commentaires et des contributions au processus.

O objetivo é responder a um dos principais desafios da transição energética: garantir que a eletricidade produzida a partir de fontes renováveis, sobretudo solar e eólica, possa ser utilizada quando é necessária, mesmo quando a produção varia em função das condições meteorológicas.
Segundo o Ministério do Ambiente e Energia, o armazenamento deverá permitir aproveitar melhor a produção nacional de eletricidade renovável, reduzir a variabilidade associada às fontes solar e eólica e reforçar a segurança de abastecimento, a flexibilidade e a estabilidade do Sistema Elétrico Nacional (SEN).
A estratégia estabelece uma trajetória de crescimento que prevê 6,9 GW de capacidade de armazenamento em 2030 e 9,76 GW em 2040. O plano foi desenvolvido com base em estudos técnicos realizados pelo INESC TEC, INESC-ID e IN+ e pretende enquadrar o papel do armazenamento na evolução do sistema energético português.
Baterias, barragens e novas soluções
A estratégia não assenta numa única tecnologia. O Governo prevê combinar soluções de implementação mais rápida e com ciclos de vida mais curtos, como as baterias, com projetos de maior dimensão e longevidade, nomeadamente sistemas de bombagem hidroelétrica.
Esta combinação deverá permitir responder a necessidades diferentes: desde a gestão das flutuações diárias da produção renovável até ao armazenamento de maiores volumes de energia durante períodos mais prolongados.
A ENAE prevê também criar condições económicas e regulatórias para que o armazenamento possa participar de forma mais efetiva no mercado de eletricidade e nos serviços de sistema. O plano identifica quatro áreas prioritárias: valorização económica e participação nos serviços de sistema, enquadramento regulatório, simplificação da ligação à rede e inovação tecnológica.
Menos gás e menor dependência energética
Para o Governo, o reforço do armazenamento tem ainda uma dimensão estratégica. Ao permitir guardar eletricidade produzida por fontes renováveis e utilizá-la posteriormente, a tecnologia poderá contribuir para diminuir a utilização de centrais a gás natural e, consequentemente, reduzir a exposição do país às importações de combustíveis fósseis.
A medida surge no contexto das metas de descarbonização e eletrificação previstas no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2030), num sistema elétrico onde o crescimento das renováveis aumenta também a necessidade de flexibilidade.
“A maior capacidade de armazenamento promove maior competitividade no mercado de energia e a diminuição progressiva de energia produzida pelas centrais de gás natural de ciclo combinado”, afirmou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, citada pelo Ministério. Na perspetiva da governante, essa evolução cria condições para uma energia “mais acessível, mais barata e limpa”.
A ministra considera assim o armazenamento uma peça importante não apenas para a descarbonização, mas também para a redução dos custos e para o reforço da soberania energética portuguesa.
Consulta pública durante 20 dias
A Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia é composta pelo Plano de Ação, que define as metas e medidas até 2040, e pelo respetivo Estudo Técnico.
A consulta pública está disponível através da plataforma Participa.pt e decorrerá durante 20 dias. Cidadãos, empresas e associações podem apresentar comentários e contributos ou anexar documentos ao processo.
O desafio será agora transformar as metas definidas no papel em capacidade efetivamente instalada. Com o crescimento da produção solar e eólica, Portugal terá cada vez mais eletricidade renovável disponível em determinados períodos e maior necessidade de a deslocar no tempo. É precisamente nesse intervalo que o armazenamento pretende ganhar peso no sistema elétrico nacional.