BYD returned to quarterly profit growth for the first time in over a year, with net profit in the second quarter rising 30% to 8.2 billion yuan, approximately $1.2 billion. This recovery comes after four consecutive quarters of decline, although revenue fell 3.2% during the period. In the first half, however, the company's net profit fell 20.5% and revenue declined 7.1%, showing that the improvement is still recent and limited.
International expansion has been the main driver of this recovery. In the first half, BYD exported approximately 790,000 vehicles, up 71% from the same period last year, with international sales accounting for about 44% of the total. In June, sales outside China rose 94.7% year-on-year, while domestic market sales fell 22%, showing the company's growing dependence on external markets.
Portugal is a concrete example of this expansion. BYD arrived in the country in 2023 and, by 2025, had already sold 6,059 passenger cars, up 94.1% from the previous year, representing more than half of Chinese brand sales in Portugal. The brand achieved a 2.7% share of the Portuguese passenger car market and 9.4% in the electric vehicle segment, accounting for one in five electric vehicle sales to private customers.
Despite the positive signal given by the second-quarter results, BYD's recovery is not yet assured. The company is more exposed to trade policies in different markets, to transportation and distribution costs, and to barriers that may arise for vehicles produced in China. The central question is whether BYD can maintain the pace of exports without resorting to a price war that would again pressure margins.

A BYD voltou a aumentar os lucros trimestrais pela primeira vez em mais de um ano, num momento em que a fabricante chinesa de automóveis elétricos procura compensar a pressão no mercado doméstico através de uma expansão cada vez maior no exterior. A Europa é uma das regiões onde a marca tem vindo a reforçar a sua presença e Portugal acompanha essa tendência, embora continue a representar uma pequena parcela do negócio global da empresa.
Entre abril e junho, o lucro líquido da BYD aumentou 30%, para 8,2 mil milhões de yuans, cerca de 1,2 mil milhões de dólares. Foi a primeira subida trimestral dos lucros depois de quatro trimestres consecutivos de quedas. A receita, contudo, recuou 3,2%, para 194,6 mil milhões de yuans, segundo os resultados da empresa citados pela Reuters.
O resultado surge num contexto de forte concorrência no mercado automóvel chinês, onde os fabricantes têm recorrido a cortes de preços e ao lançamento frequente de novos modelos para conquistar consumidores. A recuperação do lucro no segundo trimestre contrasta, por isso, com a evolução mais difícil registada no conjunto do primeiro semestre.
Entre janeiro e junho, o lucro líquido da BYD caiu 20,5%, para cerca de 12,3 mil milhões de yuans, enquanto a receita recuou 7,1%, para 344,8 mil milhões de yuans. Os números constam do relatório intercalar da fabricante.
A diferença entre o trimestre e o semestre mostra que a recuperação ainda é recente. Mas há outro indicador que ajuda a explicar a melhoria: a crescente importância das vendas fora da China.
Exportações ganham peso
No primeiro semestre, a BYD exportou cerca de 790 mil veículos, mais 71% do que no mesmo período do ano passado, segundo os dados divulgados pela fabricante e reportados pela Reuters. As vendas internacionais representaram aproximadamente 44% das vendas totais da empresa no período.
A evolução é particularmente significativa perante a pressão no mercado doméstico. Em junho, as vendas da BYD fora da China aumentaram 94,7% em termos homólogos, enquanto as vendas no mercado chinês diminuíram 22%, de acordo com dados da empresa divulgados na altura.
A expansão internacional tornou-se assim uma componente cada vez mais importante da estratégia da fabricante. O Financial Times destaca que a BYD está a procurar nos mercados externos uma forma de reduzir a dependência do mercado chinês, numa altura em que a concorrência interna limita o crescimento e pressiona os preços.
A Europa é uma das frentes dessa expansão. A BYD tem aumentado a oferta disponível, combinando veículos 100% elétricos com híbridos plug-in e modelos de posicionamento mais elevado.
Portugal é um exemplo da expansão
Portugal é um mercado pequeno à escala da BYD, mas os números nacionais mostram a rapidez com que a marca conseguiu conquistar espaço desde a sua entrada no país.
A BYD chegou a Portugal em 2023 e anunciou este ano ter ultrapassado as 10 mil viaturas vendidas desde o início da operação nacional. Segundo os dados divulgados pela própria BYD Portugal, a marca vendeu 6.059 veículos ligeiros de passageiros em 2025, mais 94,1% do que no ano anterior. A empresa indica ainda uma quota de 2,7% no mercado português de ligeiros de passageiros, considerando todas as motorizações.
No segmento dos veículos 100% elétricos, a BYD indica ter alcançado uma quota de 9,4% em Portugal em 2025. Segundo a fabricante, a marca foi também responsável por uma em cada cinco vendas de automóveis elétricos a clientes particulares no país.
Os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) permitem colocar a evolução da BYD num contexto mais amplo. Segundo a associação, as marcas chinesas venderam 11.901 automóveis em Portugal em 2025, contra 5.590 no ano anterior. A BYD, com 6.059 unidades, representou assim mais de metade das vendas de marcas chinesas no mercado português nesse ano.
O crescimento das marcas chinesas não é, contudo, sinónimo de domínio do mercado. A sua quota conjunta continua a ser limitada quando comparada com a dos grandes fabricantes tradicionais. O que os números mostram é sobretudo a velocidade de crescimento de um grupo de marcas que há poucos anos tinha uma presença residual em Portugal.
A China já não chega
É precisamente essa procura por novos mercados que ajuda a explicar a aposta internacional da BYD. A fabricante cresceu num mercado chinês gigantesco, mas altamente competitivo. Agora procura replicar parte dessa escala fora do país, aumentando as exportações e desenvolvendo redes comerciais nos mercados de destino.
O movimento também representa um desafio para os fabricantes europeus. As marcas chinesas chegam ao continente com uma experiência acumulada num dos maiores mercados de veículos elétricos do mundo e estão a aumentar rapidamente a oferta disponível para os consumidores europeus.
A BYD tenta ainda afastar-se da imagem de fabricante exclusivamente associada a automóveis elétricos de preço mais baixo. A empresa tem vindo a alargar a gama e a apostar em diferentes segmentos, incluindo veículos híbridos e marcas de maior valor acrescentado.
Portugal surge neste processo como um exemplo de expansão, e não como um mercado determinante para os resultados da empresa. O país é pequeno à escala das vendas globais da BYD, mas a evolução registada desde 2023 mostra como uma marca chinesa pode conquistar rapidamente uma posição relevante num mercado europeu.
Recuperação ainda não está garantida
Apesar do crescimento dos lucros no segundo trimestre, os resultados acumulados do primeiro semestre mostram que a BYD ainda enfrenta dificuldades. A queda do lucro semestral revela que a pressão sobre o negócio doméstico continua a ser significativa. A expansão internacional pode ajudar a compensá-la, mas também implica novos custos e riscos.
A fabricante fica mais exposta às políticas comerciais dos diferentes mercados, aos custos de transporte e distribuição e às barreiras que possam surgir à entrada de veículos produzidos na China. Na Europa, a presença crescente das marcas chinesas tem igualmente provocado uma resposta mais forte por parte dos fabricantes tradicionais.
A questão para a BYD será, por isso, saber se consegue manter o ritmo das exportações sem recorrer a uma guerra de preços que volte a pressionar as margens. Por enquanto, os resultados do segundo trimestre dão um sinal positivo: depois de quatro trimestres de queda, os lucros voltaram a crescer. E, cada vez mais, o crescimento da BYD está a acontecer fora da China.
Portugal é apenas uma pequena parte dessa história. Mas é também um exemplo concreto de uma transformação mais ampla no mercado automóvel europeu: a entrada dos fabricantes chineses deixou de ser uma tendência distante e passou a fazer-se sentir diretamente nas escolhas dos consumidores.