Portugal submits plan to restore nature to Brussels. Now the hardest part beginsPhoto by Diogo Digital Art on Pexels
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Portugal submits plan to restore nature to Brussels. Now the hardest part begins

Jornal Económico29 August 2026 at 12:12

Portugal delivered to the European Commission its national nature restoration plan, a document that brings together 386 measures covering terrestrial, coastal, marine, freshwater, urban areas, rivers, floodplains, agricultural and forest systems. The plan also includes a chapter dedicated to pollinators and governance and monitoring measures. The elaboration was coordinated by the Institute for Nature Conservation and Forests, with the participation of the Autonomous Regions of the Azores and Madeira, a Monitoring Committee and a Knowledge Network bringing together more than 200 researchers. The document was submitted after a public consultation held between July and August, which received 184 contributions.

The European Commission now has six months to analyze the Portuguese proposal and present observations. Portugal then has another six months to incorporate any changes and present the final version, in a process that should be concluded by August 2027. The Minister of Environment and Energy, Maria da Graça Carvalho, argued that nature restoration must go beyond a technical document, becoming a national movement involving municipalities, autonomous regions, researchers, businesses and civil society.

The plan comes following the European Nature Restoration Regulation, which aims to reverse the degradation of European ecosystems. Among the priority territories identified are Serra da Estrela, the Peneda-Gerês National Park, the Guadiana Valley, the Alentejo Litoral and Mata da Margaraça, areas with distinct problems such as fires, habitat degradation, pressure on water resources and biodiversity loss. The Government seeks to link nature conservation to territorial resilience, presenting restoration as a way to reduce risks and reinforce the capacity of territories against droughts, fires, floods and heat waves.

The central question will be financing. In the letter sent to the European Commissioner for Environment, Jessika Roswall, Maria da Graça Carvalho argued that the next EU Multiannual Financial Framework (2028-2034) must include adequate resources for nature restoration and supported the creation of a European Fund for this purpose. The Government also admits resorting to a future nature credit market and mechanisms to attract private investment, recognizing that restoring ecosystems implies significant costs whose benefits often materialize only in the medium or long term.

A submissão deste documento marca apenas o final da primeira etapa. A Comissão Europeia terá agora seis meses para analisar o plano e apresentar as suas observações. Portugal dispõe depois de outros seis meses para incorporar eventuais alterações, fechar o documento e apresentar a versão definitiva. O processo deverá decorrer até agosto de 2027.

“Mais do que um documento, queremos que seja um verdadeiro movimento nacional”, afirmou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, citada pelo Governo, defendendo que o restauro da natureza deve envolver não apenas o Estado, mas também municípios, regiões autónomas, investigadores, empresas e sociedade civil.

O plano surge na sequência do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, uma das principais peças da política ambiental da União Europeia. A ambição europeia é inverter a degradação dos ecossistemas e recuperar habitats e espécies, colocando a restauração ecológica no centro das políticas de conservação e de adaptação climática.

386 medidas para terra, mar, rios e cidades

O projeto português reúne 386 medidas e cobre uma área particularmente extensa: ecossistemas terrestres, costeiros, marinhos e de água doce, zonas urbanas, rios e respetivas planícies aluvionares, além de sistemas agrícolas e florestais.

Os polinizadores têm também um capítulo próprio, numa altura em que o declínio destes insetos é encarado como uma ameaça não apenas à biodiversidade, mas também à produtividade agrícola e à segurança alimentar. O plano inclui ainda medidas transversais relacionadas com governação e acompanhamento da execução.

A preparação do documento foi coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e envolveu as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, uma Comissão de Acompanhamento e a Rede de Conhecimento para o Restauro da Natureza, que reúne mais de 200 investigadores.

Houve também uma consulta pública, realizada entre 9 de julho e 19 de agosto. Foram recebidas 184 participações, cujos contributos, segundo o Governo, permitiram introduzir alterações e consolidar medidas.

Da Serra da Estrela ao Guadiana

A questão central será agora saber como é que um plano com centenas de medidas passa do papel para o território. Algumas iniciativas já estão em preparação ou em curso e deverão contribuir para a execução da estratégia. Entre os territórios identificados estão a Serra da Estrela, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Vale do Guadiana, o Alentejo Litoral e a Mata da Margaraça.

São zonas com problemas distintos — dos incêndios e da degradação dos habitats à pressão sobre os recursos hídricos e à perda de biodiversidade — mas que partilham uma vulnerabilidade crescente perante fenómenos climáticos extremos.

É precisamente nessa ligação entre conservação da natureza e resiliência que o Governo procura colocar uma parte da narrativa do plano. Restaurar florestas, rios, zonas húmidas ou habitats costeiros não é apresentado apenas como uma política ambiental: pode também significar reduzir riscos, proteger recursos naturais e reforçar a capacidade dos territórios para enfrentar secas, incêndios, cheias e ondas de calor.

O dinheiro será a verdadeira prova

Há, contudo, uma questão que poderá determinar a concretização do plano: o financiamento. Na carta enviada à comissária europeia do Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, Jessika Roswall, Maria da Graça Carvalho defende que o próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, para 2028-2034, deve reservar recursos adequados para o restauro da natureza.

Portugal apoia também a criação de um Fundo Europeu para o Restauro da Natureza, argumentando que a dimensão das metas exige instrumentos financeiros à escala europeia.

A estratégia portuguesa passa, no entanto, por procurar outras fontes de capital. O Governo admite recorrer a instrumentos complementares, incluindo um futuro mercado de créditos de natureza e mecanismos destinados a atrair investimento privado.

Esta poderá ser uma das dimensões mais relevantes do plano nos próximos anos. Restaurar ecossistemas implica custos significativos e benefícios que muitas vezes só se materializam a médio ou longo prazo. Encontrar formas de transformar parte desses benefícios ambientais em incentivos económicos será, por isso, decisivo para evitar que o plano fique limitado à administração pública e aos fundos europeus.

Bruxelas dá seis meses

Com a entrega do projeto, Portugal cumpre a primeira obrigação prevista no regulamento europeu. Mas o documento ainda não é definitivo.

A Comissão Europeia terá seis meses para avaliar a proposta portuguesa. Seguir-se-á uma segunda fase, igualmente com uma duração de seis meses, durante a qual Portugal terá de rever o projeto à luz das observações de Bruxelas, concluir a versão final e publicá-la. O calendário aponta, assim, para um processo que se prolongará até agosto de 2027.

A partir daí começa a verdadeira avaliação: não será apenas a qualidade técnica do plano que estará em causa, mas a capacidade de executar centenas de medidas num território sujeito simultaneamente à pressão urbanística, ao abandono agrícola, aos incêndios, à escassez de água e às alterações climáticas.

A entrega a Bruxelas é, portanto, uma meta cumprida. O teste decisivo será saber se as 386 medidas conseguem sair do documento e produzir resultados visíveis no terreno. Como resumiu Maria da Graça Carvalho, o objetivo é que o restauro da natureza se transforme num movimento capaz de envolver o Estado, as autarquias, as regiões autónomas, a ciência, a economia e a sociedade civil. A partir de agora, começa a fase em que essa ambição terá de ser demonstrada no território.

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