The chaplain of the University of Coimbra, Father Nuno Fileno, warned about the risks of delegating moral decisions to artificial intelligence, denouncing the impact of technical evolution devoid of ethical limits. In an interview with ECCLESIA Agency, the head of the University Pastoral Care warned that "the danger is that the speed of technique exceeds that of dignity," which generates a "false idea of progress," because progress cannot be merely technical.
The priest evoked the Christian vision of vulnerability, emphasizing that the ambition to eradicate suffering through technology would result in the simultaneous elimination of the capacity to love. Referencing Pope Leo XIV's encyclical "Magnifica Humanitas," published on May 25, Father Nuno Fileno criticized the promises of transhumanism and warned that "the greatest misunderstanding is equating artificial intelligence with human intelligence," since, although more efficient and faster, AI lacks
Padre Nuno Fileno alerta para impacto de uma evolução técnica desprovida de limites éticos

Lisboa, 29 ago 2026 (Ecclesia) – O capelão da Universidade de Coimbra alertou para o risco de delegar decisões morais na inteligência artificial (IA), denunciando o impacto de uma evolução técnica desprovida de limites éticos.
“O perigo é a velocidade da técnica ser superior à da dignidade, o que depois gera, para além de assimetrias maiores, uma falsa ideia de progresso, porque o progresso não pode ser apenas o da técnica”, advertiu o padre Nuno Fileno em entrevista à Agência ECCLESIA.
O responsável pela Pastoral Universitária na diocese evocou a visão cristã da vulnerabilidade, sublinhando que a ambição de erradicar o sofrimento através da tecnologia resultaria na eliminação simultânea da capacidade de amar.
“Se nós quisermos eliminar totalmente o sofrimento, teríamos de eliminar também o desejo e o amor”, explicou o sacerdote, perante as promessas ilusórias do transumanismo de que fala Leão XIV, na sua encíclica ‘Magnifica Humanitas’.
O entrevistado reflete sobre o impacto da delegação do escrutínio bélico e a concentração do poder na IA originam uma opacidade perigosa, defendendo que a regulação não pode ficar restrita aos criadores dos algoritmos.
“Se deixamos essa reflexão simplesmente nas mãos de quem programa, de quem tem o poder sobre a inteligência artificial, corremos o risco de estarmos também, inconscientemente, ao serviço de critérios desumanos”, alertou.
O equívoco maior é equiparar a inteligência artificial à inteligência humana, porque ela pode ser mais eficiente e rápida, mas a falta de experiência e da própria consciência moral torna a sua capacidade de escolha e de decisão muitíssimo frágil.”
O investigador denunciou igualmente a “face oculta” da transição digital, recordando que a arquitetura dos dados exige a extração massiva de recursos naturais e a exploração de mão de obra mal paga.
“O Papa fala destas ‘terras raras’ que hoje são também os dados pessoais, que são agrupados e ficam nas mãos de alguns, não sabemos com que finalidade. Essa é uma questão muitíssimo importante”, apontou.
O capelão universitário destacou ainda a importância de ensinar os alunos a assumir a profundidade do processo pedagógico, sem atalhos nem respostas prontas a consumir.
“Anulando essas etapas intermédias e decisivas, estamos a esquecer o que somos, quem somos”, defendeu o padre Nuno Fileno.
O convite de Leão XIV a um “jejum” coletivo destas ferramentas, assinalou o responsável, assume-se como um antídoto contra a ansiedade contemporânea.
“Parar, descansar e fazer silêncio é fundamental para escutarmos Deus. Nem tudo o que é rápido ou eficiente nos faz crescer humanamente”, sustentou, criticando a ditadura da atenção imposta pelo mercado.
A entrevista que vai ser emitida este domingo, na RTP Antena 1 (06h00), é a quarta de um ciclo de conversas sobre a IA, à luz da encíclica de Leão XVI publicada a 25 de maio, que aborda os enormes éticos e antropológicos levantados por estas ferramentas digitais.
OC