No dia 16 de Setembro, a Lisboa E-Nova, a agência de energia e ambiente de Lisboa, vai mostrar, num passeio de bicicleta, as ligações cicláveis que estão a ser construídas junto a escolas, no âmbito do projecto internacional BICI. À tarde, vai haver uma conversa descontraída e aberta a “todos os que querem transformar as ruas”.

Não há muitas oportunidades para conhecer os bastidores da rede ciclável de Lisboa, e falar com quem desenha e pensa as ciclovias da cidade. Mas no próximo dia 16 de Setembro, Lisboa vai dedicar um dia à sua infra-estrutura para bicicletas, com um passeio descontraído que terminará numa conversa aberta a “todos os que querem transformar as ruas”. O encontro está a ser organizado pela Lisboa E-Nova, a agência de ambiente da capital, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, que decorre entre os dias 16 e 22.
“É um evento importante porque, por um lado, é um lançamento da Semana Europeia da Mobilidade deste ano em Lisboa, por isso marca logo também o passo com alguns dos assuntos da mobilidade que são importantes”, destaca Bernardo Campos Pereira, consultor em mobilidade sustentável na Lisboa E-Nova. O evento, que vai ter um momento de manhã e outro de tarde no dia 16 de Setembro, terá início às 9 horas no edifício da Câmara Municipal de Lisboa no Campo Grande, onde está instalada a Lisboa E-Nova (a morada, para quem precisar de meter no Google Maps é “Campo Grande 13”).
Esse é o ponto de encontro para um passeio que percorrerá algumas zonas da cidade onde, com o apoio da Lisboa E-Nova, o Município está a desenvolver projectos cicláveis no âmbito do projecto BICI. “O BICI é um projecto que já decorre desde Julho de 2023. Foi o primeiro projecto que desafiou cidades de todo o mundo a concorrer para melhorar e aumentar a sua rede ciclável, aproveitando assistência técnica de uma entidade que é o Global Designing Cities Initiative (GDCI) e algum algum financiamento da Bloomberg Philanthropies. Lisboa foi uma das 10 cidades escolhidas”, explica Bernardo. Tratando-se de um projecto global, cada cidade desenvolveu o BICI à sua maneira: Lisboa optou por resolver as ligações em falta na infra-estrutura de ciclovias segregadas, sobretudo junto a escolas.

O passeio irá percorrer algumas das intervenções em curso ou em projecto, como a ligação da ciclovia da Avenida do Brasil à Escola Secundária Padre António Vieira, em Alvalade, pelas ruas Alferes Malheiro, João de Deus Ramos e Marquês Soveral; a ligação da ciclovia da Avenida Cidade de Luanda à Escola Básica Sarah Afonso, nos Olivais, pelas ruas Almada Negreiros e do Ibo; a ligação da ciclovia da Avenida de Berlim/Parque do Vale do Silêncio à Escola Básica Adriano Correia de Oliveira, também nos Olivais, pelas ruas Cidade Vila Cabral, Cidade Quelimane e Cidade da Beira; e a ligação da ciclovia da Avenida Almirante Reis ao Colégio Sagrado Coração de Maria, em Arroios, pela Rua António Pereira Carrilho e Avenida Manuel da Maia.
Itinerário do passeio
- 9h00 – ponto de encontro na “casa” da Lisboa E-Nova (Campo Grande 13)
- 9h15 – paragem na Rotunda do Relógio
- 10h15 – paragem na scola Adriano Correia de Oliveira, Olivais
- 10h45 – paragem na Escola Sarah Afonso, Olivais
- 12h00 – chegada à Praça da Figueira/Rua da Prata
“O itinerário passa por uma série de ciclovias que já estão a ser implementadas ou que já foram implementadas e por outras que estão quase a começar”, resume Bernardo. Como o BICI não é só sobre escolas, serão ainda visitados os projectos na Rotunda do Relógio, que unirá as ciclovias das avenidas do Brasil, Cidade do Porto e Marechal Gomes da Costa e que “é uma implementação que vai começar no fim de Outubro”, e na Praça da Figueira e Rua da Prata, “que é uma ciclovia que está implementada mas que requer algumas correções”.
O passeio vai contar com a equipa da rede ciclável da Câmara Municipal de Lisboa, com especialistas da Global Designing Cities Initiative (GDCI) e com representantes da Lisboa E-Nova. A iniciativa será uma oportunidade para conhecer as soluções que estão a ser implementadas, conversar com quem conhece e trabalha com o projecto BICI e compreender os desafios de quem se desloca na cidade. “As pessoas podem juntar-se podem ir falando com os técnicos, ouvindo as explicações, saber como estão os projectos, etc.”, diz Bernardo Campos Pereira.
Não é precisa inscrição, pelo que os interessados podem juntar-se ao grupo, de bicicleta própria ou numa GIRA, no início ou em qualquer uma das paragens do percurso: 9h15 na Rotunda do Relógio, 10h15 na Escola Adriano Correia de Oliveira, 10h45 na Escola Sarah Afonso, 12h00 na Praça da Figueira. “Vai acabar pelo meio-dia e meia, uma da tarde.”
Passeio de manhã, conversa à tarde
Da parte da tarde, existirá uma conversa no Pátio da Água, um espaço da EPAL perto dos Restauradores. Uma sessão que contará também com a Câmara de Lisboa, a GDCI e a Lisboa E-Nova, onde serão partilhadas experiências, resultados e exemplos de Lisboa e de outras cidades. Também participará a Câmara de Oeiras, que está a preparar uma candidatura à segunda edição do BICI. “Vai ser um momento informal e tranquilo para conversar”, diz.
Todo o evento pode interessar a quem queira saber mais sobre o que está a ser feito ao nível da rede ciclável em Lisboa. “Pode ser interessante para todo tipo de actores, não é só para o utilizador da bicicleta, mas para todos os que querem de alguma forma transformar as ruas”, resume Bernardo Campos Pereira, consultor na Lisboa E-Nova. O convite à participação estende-se desde a técnicos de outros municípios que queiram aprender com Lisboa, a presidentes de junta que podem aprender mais sobre a bicicleta como alternativa de mobilidade, ou também as associações que fazem trabalho de activismo na cidade.
A candidatura à primeira edição do BICI por Lisboa partiu da Lisboa E-Nova, logo em 2022, quando a Bloomberg Philanthropies lançou o projecto. “A segunda edição do BICI está agora em curso, a parte da competição, da submissão das candidaturas, para depois haver uma escolha. A segunda edição que vai ter quase 25 cidades das candidatas, que vão participar numa academia para capacitar os técnicos e decisores, e depois dessas 25, 10 serão novamente escolhidas para projectos com financiamento para implementar”, explica Bernardo Campos Pereira.
Lisboa, como vencedora da primeira edição, é uma das cidades mentoras desta segunda edição. As aprendizagens e exemplos da capital portuguesa estão detalhadas no livro How to Implement Cycling Infrastructure, editado pela GDCI e disponível gratuitamente online.


Apesar de o passeio não requer inscrição, a participação na conversa no Pátio da Água tem limitações de espaço, pelo que é preciso fazer uma inscrição através de um formulário online. Todas as informações sobre esta iniciativa podem ser encontradas no site da Lisboa E-Nova.
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