O Granfondo da Serra d’Ossa assume-se como um dos principais eventos de promoção do cicloturismo no Alentejo e deverá voltar a mobilizar cerca de 1700 participantes, nos dias 3 e 4, com impacto que, segundo o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, ultrapassa largamente os dias da competição.
“É um evento âncora do turismo em bicicleta”, afirmou José Santos, destacando o crescimento que esta atividade tem registado na região e a sua importância enquanto produto turístico, nomeadamente junto de mercados internacionais como o norte-americano.
Para o responsável, a importância do Granfondo não se limita aos participantes que permanecem no território durante a prova. Muitos dos ciclistas deslocam-se ao Alentejo ao longo do ano para treinar, regressando posteriormente para participar no evento ou para novas estadias e explicou que “muitas destas pessoas passam duas, três vezes por ano, vêm ao território, dormem, consomem nos hotéis, nos turismos rurais, nos restaurantes e compram no comércio”.
José Santos defende, por isso, que o apoio financeiro do Turismo do Alentejo ao evento deve ser encarado como um investimento e não como um custo, devido ao retorno que proporciona à economia dos cinco concelhos envolvidos.
Apesar de reconhecer que o impacto económico é seguramente significativo, o presidente da Entidade Regional de Turismo admite que ainda não existe um estudo que permita determinar o valor concreto gerado pelo Granfondo da Serra d’Ossa.
A questão ganha particular relevância perante a capacidade limitada de alojamento existente nos cinco concelhos que acolhem a iniciativa. Parte dos participantes e acompanhantes acaba por ficar alojada noutros territórios, à semelhança do que acontece com outros grandes eventos realizados na região.
José Santos deu como exemplo as Festas do Povo de Campo Maior, que chegam a beneficiar unidades hoteleiras de Badajoz e Mérida quando a capacidade de alojamento local é ultrapassada e afirmou que “os eventos são picos e motores de deslocação de pessoas”, acrescentando que “muitas das vezes os territórios não têm capacidade de alojamento suficiente”.
O responsável revelou ainda que está em cima da mesa a criação, para a próxima edição, de uma ferramenta que permita medir de forma mais rigorosa o impacto económico do evento, através de dados de transações ou de um estudo científico, mas reiterou que o impacto económico “é significativo de certeza”.
Além dos participantes, José Santos realçou o peso dos acompanhantes e familiares, defendendo que a permanência destes visitantes no território antes e depois da prova reforça o impacto na hotelaria, restauração e comércio local.
O Granfondo da Serra d’Ossa é, segundo José Santos, atualmente a única prova do género no Alentejo, embora a região conte já com outras iniciativas desportivas com dimensão turística, como a Taça do Mundo de Gravel, em Ourique, e eventos realizados em Castelo de Vide.
Ainda assim, o responsável considera o Granfondo um caso particularmente importante para a região e destacou que “é um bocadinho a menina dos nossos olhos o Granfondo da Serra d’Ossa que vem para ficar”.
A prova vai realizar-se no próximo ano no concelho do Redondo, iniciando-se depois um novo ciclo de cinco anos destinado a promover os recursos turísticos e territoriais da zona.
Na estratégia regional de promoção de eventos, José Santos classifica o Granfondo da Serra d’Ossa como um evento de dimensão média. A classificação, contudo, não significa uma menor relevância para o território.
“É um evento médio, não é um evento pequeno”, frisou, lembrando que a iniciativa envolve 1700 participantes, atravessa cinco concelhos e exige uma logística considerável.
O presidente da Entidade Regional de Turismo considera que estes eventos de dimensão intermédia são fundamentais para a coesão territorial e turística do Alentejo, funcionando em complemento com os grandes acontecimentos internacionais.
A região prepara, aliás, uma nova fase de aposta nos grandes eventos desportivos. Em 2026, o Alentejo deverá entrar no roteiro internacional com iniciativas como os seis dias de Enduro no litoral alentejano e o Portugal Legends Tour, na Herdade do Pinheirinho.
“Começamos em 2026 a tê-los”, afirmou José Santos, referindo-se aos grandes eventos desportivos internacionais. Mas deixou também um alerta: “Temos que continuar a atrair esses grandes eventos, mas a acarinhar e a manter esses eventos médios que são muito importantes na coesão territorial e turística do Alentejo.”
Para José Santos, o Granfondo da Serra d’Ossa enquadra-se precisamente nessa estratégia: uma prova capaz de mobilizar milhares de pessoas, promover o território e gerar atividade económica de forma prolongada, muito para além do fim da competição.
Mais do que uma competição desportiva, o Granfondo da Serra d’Ossa afirma-se, assim, como uma plataforma de promoção turística do Alentejo, com capacidade para gerar novas visitas, prolongar estadias e distribuir atividade económica por diferentes territórios. A continuidade da prova e a aposta na medição do seu impacto poderão reforçar ainda mais o seu papel enquanto instrumento de valorização da região e de afirmação do cicloturismo como produto turístico estratégico.
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