

A delegação de empresários sauditas que está em Portugal até terça-feira vai começar a olhar para os setores do desporto e da energia, depois de assinar acordos com empresas portuguesas ligadas à inovação dos cuidados de saúde. Quem o diz é o presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal, que está em Lisboa para representar os privados no âmbito de uma visita oficial do Governo saudita.
A motivar o interesse está o facto de Portugal acolher – a par com Espanha e Marrocos – o próximo Campeonato do Mundo de Futebol, em 2030, e de seguida ser a Arábia Saudita a anfitriã, em 2034. “Já estamos a pensar noutros setores, como o desporto ou a energia. Ainda não fizemos contactos, mas, com base no que estamos a ver, estes dois setores, especialmente o desportivo, por causa do Mundial, merecem atenção por parte do setor privado, uma vez que ambos os países vão receber Campeonatos do Mundo nos próximos anos”, explicou Alwalid Albaltan, em declarações ao ECO.
Negócios ligados ao desporto ou à energia são os próximos alvos, depois da saúde, que deu mote à primeira comitiva considerada setorial deste conselho. Na opinião dos membros do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal (SPBC), a especialização dá “mais resultados em termos de investimento e troca de conhecimento”.
Numa entrevista ao ECO, no âmbito da terceira visita oficial do grupo a Lisboa, o presidente do SPBC afirmou que “agora muitos sauditas querem investir em Portugal”, mas há um aspeto que os dois países precisam de melhorar em conjunto para ver mais resultados: o processo de investimento.
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“Qual é? Como se abre uma empresa? Como é que se chega às oportunidades de investimento? Se se tornar acessível, veremos os resultados. Acredito que, se o conhecimento sobre como investir em Portugal for mais claro para os investidores sauditas, veremos aqui muitos mais”, diz o líder o SPBC, criado em 2024 e que reúne os investidores privados sauditas que estejam interessados em Portugal ou tenham investimentos no país, bem como as empresas portuguesas com licença comercial na Arábia Saudita e, portanto, são consideradas sauditas.
Por sua vez, em geral, os empresários portugueses ainda receiam entrar no Golfo Pérsico, onde a instabilidade aumentou com o ataque dos Estados Unidos ao Irão. “Tenho constatado que muitas empresas portuguesas não querem correr o risco de abrir um novo mercado. Preferem sempre recorrer a quem já conhecem. Consideram a abertura na Arábia Saudita um risco. A Arábia Saudita tornou-se um grande mercado, onde a flexibilidade e a comunicação são fundamentais”, referiu Alwalid Albaltan, apelando a que Portugal “acredite em si mesmo”, e arrisque, porque “tem grande capacidade e conhecimento”.
Quando começámos, a nossa visão era: Portugal tem um potencial muito grande. A questão é que ninguém do Médio Oriente conhece este potencial e não havia qualquer relação com o setor privado. O objetivo, nos primeiros dois anos, era construir essa consciência. Agora, o próximo passo é focarmo-nos mais em setores.
Alwalid AlbaltanConselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal
Na segunda-feira, quatro empresas portuguesas, das áreas de tecnologia e saúde, vão assinar acordos com empresários sauditas com o objetivo de terem uma representação comercial, arrancarem operações em Riade ou procurarem financiamento. Os memorandos de entendimento bilateral serão rubricados com as nortenhas DigestAId, Ciberbit e ITGest e a clínica de medicina estética NBClinic, na sede da CIP – Confederação Empresarial de Portugal.
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Como é que chegaram até aqui? Como é que se cria a ponte para a expansão no maior país do Médio Oriente? Inicialmente, existem os canais oficiais para qualquer empresário ou empresa portuguesa que queira abrir uma filial no estrangeiro, neste caso na Arábia Saudita: as entidades públicas ou do Governo, como a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que tem um escritório em Riade, a homóloga SIPA – Autoridade de Promoção do Investimento Saudita ou o Ministério do Investimento da Arábia Saudita (MISA).
Mas é possível recorrer também à “voz dos privados”, o SPBC. Alwalid Albaltan conta que, por exemplo, a ITGest contactou a AICEP e o MISA, que acabaram por contactar este grupo de 70 membros. “Tivemos a primeira reunião e, depois de compreendermos os seus objetivos, ajudámo-los a expandir-se para a Arábia Saudita. É um processo rápido”, garante, recordando que a estratégia Visão 2030 para a diversificação económica fez com que o número de empresas internacionais no reino crescesse.
O fundador do grupo Albaltan não tem dúvidas de que existem semelhanças culturais entre portugueses e sauditas, desde logo porque ambos precisam de um almoço ou um café para o aperto de mão que é sinal de negócio. “Somos todos seres sociais. Sempre que queremos fechar um negócio, temos de convidar alguém para jantar ou almoçar antes. Na Arábia Saudita é a mesma coisa, portanto não há problema nenhum.”
Empresas da Arábia Saudita regressam a Lisboa na Web Summit
Ainda antes de deixar o quartel-general que têm montado em Cascais para estes dias, os investidores sauditas estão a planear a quarta visita a Portugal durante a Web Summit, que se realiza entre os dias 9 e 12 de novembro, em Lisboa. “Vemos como está a ser construída confiança entre os dois países. A Web Summit é um grande evento, até foi para o Qatar em representação do Médio Oriente, mas o maior é realizado em Portugal”, salienta o presidente do SPBC.
O Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal estará presente na cimeira tecnológica com uma delegação privada especializada em startups, em coordenação com a Monshaat – a autoridade para pequenas e médias empresas na Arábia Saudita – e tem agendas reuniões com a Unicorn Factory de Lisboa e a Startup Portugal para desenvolver programas conjuntos, porque Portugal tem “um bom capital humano” e “pessoas muito amáveis, abertas e inteligentes”.




