Португалия в последние годы празднует рекорды в сфере туризма, укрепляя сектор как один из основных двигателей национальной экономики. Однако автор София Алмейда предупреждает, что страна может быть не готова к всё более требовательному, информированному и менее впечатлительному туристу. Ключевой вопрос заключается в том, готова ли Португалия ответить на эти новые требования.
Современный путешественник быстро изменился и уже не довольствуется лишь красивыми пейзажами или удачно расположенными отелями. Он ищет аутентичность, персонализацию, осмысленность и, прежде всего, согласованность между тем, что обещают направления, и тем, что они реально предлагают. Современный турист более осознанный, более цифровой, более сравнительный и менее терпимый к разочарованию, изучая отзывы и ища рекомендации ещё до прибытия на место.
Португалия по-прежнему пользуется исключительными активами: безопасностью, наследием, гастрономией, климатом, гостеприимством и территориальным разнообразием. Тем не менее автор предупреждает, что полагаться только на эти преимущества может быть стратегической ошибкой, поскольку туристическая конкурентоспособность не является статичной. Аутентичность и устойчивость должны перейти от слоганов к подлинному опыту и видимым практикам.
Технологии, включая искусственный интеллект, могут сыграть важную роль в этой трансформации — не для замены человеческого гостеприимства, а для его укрепления. Автор заключает, что главный риск туристического успеха — это самоуспокоенность, и что настоящее испытание зрелостью заключается не в способности расти, а в способности развиваться и оставаться актуальным на всё более требовательном рынке.
Num contexto de crescente exigência, autenticidade e personalização, o turismo português terá de fazer mais do que confiar no que sempre funcionou.
Por Sofia Almeida *
Portugal habituou-se, nos últimos anos, a celebrar recordes turísticos. Mais hóspedes, mais dormidas, mais receitas. O turismo consolidou-se como um dos principais motores da economia nacional e tornou-se um caso de sucesso internacional. E ainda bem. Contudo, perante este cenário positivo, talvez seja tempo de colocar uma questão menos confortável, mas necessária: estaremos preparados para um turista cada vez mais exigente e mais informado— e, acima de tudo, menos impressionável?
O viajante mudou. E mudou rapidamente. Tão rápido que andamos todos a discutir a Inteligência Artificial e o seu impacto no emprego das pessoas, mas poucos pararam para pensar no impacto da IA nas escolhas do visitante/consumidor.
Se, há alguns anos, bastava uma paisagem bonita, um hotel bem localizado e uma fotografia “instagramável” para gerar entusiasmo, hoje as expectativas são substancialmente mais elevadas. O turista contemporâneo procura autenticidade, personalização, propósito e, sobretudo, coerência entre aquilo que os destinos prometem e aquilo que efetivamente entregam. Já não basta dizer que um destino é sustentável — é preciso demonstrá-lo. Já não basta oferecer hospitalidade — é necessário criar experiências memoráveis e diferenciadoras. E já não basta promover um território — importa compreender profundamente quem nele habita, quem o visita e o que verdadeiramente valoriza.
A verdade é que o turista atual está mais consciente, mais digital, mais comparativo e menos tolerante à desilusão. Consulta avaliações, compara experiências, procura recomendações de outros viajantes e já procura recomendações de Agentes de IA, e constrói expectativas antes mesmo de chegar ao destino
Portugal continua a beneficiar de ativos extraordinários: segurança, património, gastronomia, clima, hospitalidade e diversidade territorial. Mas confiar apenas nesses atributos pode ser um erro estratégico. O risco de qualquer destino de sucesso é começar a depender excessivamente daquilo que sempre funcionou, esquecendo que a competitividade turística não é estática.
Talvez o maior desafio não seja atrair turistas, mas continuar a surpreendê-los.
A autenticidade, tantas vezes usada como palavra-chave nas campanhas promocionais, terá de deixar de ser apenas um slogan e passar a traduzir-se em experiências genuínas, contacto real com comunidades locais, valorização do património e propostas menos standardizadas.
O mesmo acontece com a sustentabilidade, que não pode continuar a existir apenas no discurso, mas deve tornar-se visível nas práticas dos destinos e das empresas. Também a tecnologia terá um papel crescente nesta transformação. Não para substituir o lado humano da hospitalidade — um dos maiores ativos do turismo português — mas para o reforçar. A inteligência artificial, os dados e a personalização podem ajudar as empresas e os destinos a compreender melhor os seus visitantes, antecipar preferências e criar experiências mais relevantes. Será o regresso dos softwares de Customer Relationship Management? Mas existe uma questão central que o setor não pode ignorar: o turista do futuro será provavelmente mais seletivo, mais consciente e mais exigente em relação ao valor da experiência. E valor já não significa apenas preço; significa relevância, autenticidade e significado.
Portugal poderá estar parcialmente preparado para esta empreitada, mas o verdadeiro teste da maturidade turística não está apenas na capacidade de crescer; está na capacidade de evoluir. Porque o maior risco do sucesso turístico é a complacência: acreditar que aquilo que funcionou ontem continuará, inevitavelmente, a funcionar amanhã. Num mercado cada vez mais exigente, permanecer relevante será, provavelmente, o verdadeiro indicador de competitividade do turismo português.
* Coordenadora Científica da Área de Turismo e Hospitalidade da Universidade Europeia e Investigadora do CETRAD-Europeia. Artigo publicado no site Publituris.pt.
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