O partido LIVRE repudiou a receção do embaixador de Israel pela Câmara Municipal de Guimarães, que decorreu nos Paços do Concelho. O encontro foi oficialmente apresentado como dedicado à criação de oportunidades de colaboração nas áreas da inovação, tecnologia, proteção civil, qualificação de recursos humanos e atração de investimento, com destaque para a instalação no AvePark da TAG Medical Products Corporation, através da TAGlobal Portugal, descrita como a primeira unidade industrial da empresa na Europa.
O LIVRE considera o momento particularmente sensível, tendo em conta que uma comissão de inquérito das Nações Unidas concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza, e que Portugal se juntou a outros países europeus para anunciar restrições comerciais aos colonatos israelitas ilegais na Cisjordânia. O partido afirma que "receber um embaixador é protocolo" mas "anunciar cooperação económica, tecnológica e de investimento é escolha política, e a escolha foi da Câmara". O presidente da Câmara respondeu às críticas dizendo que continuará a receber todos os embaixadores acreditados em Portugal, enquadrando o encontro num conjunto de cerca de treze audiências concedidas no âmbito da sessão de investimento da Academia da Diplomacia.
O LIVRE exige à Câmara Municipal de Guimarães que reconheça publicamente que a comunicação do encontro projetou uma normalização política e económica incompatível com a posição assumida pelo Estado português, que suspenda qualquer iniciativa de cooperação económica institucional com Israel enquanto se mantiverem as violações do direito internacional identificadas pela ONU, que divulgue com transparência os contactos, apoios e contrapartidas associados à instalação da TAGlobal Portugal no AvePark, e que a atuação externa do município se alinhe com as sanções anunciadas por Portugal.
O partido recorda a posição que tem vindo a defender na Assembleia da República, através do Deputado Rui Tavares, favorável ao reconhecimento urgente do Estado da Palestina e à suspensão imediata do Acordo de Associação entre a União Europeia e Israel. O LIVRE sublinha que, sendo Guimarães Cidade Património Mundial, o seu nome constitui "um bem público, não um ativo promocional indiferente ao contexto", e anuncia que levará estas exigências à Assembleia Municipal de Guimarães.




