O Japão está a considerar aumentar significativamente a sua despesa militar para 3,5% do Produto Interno Bruto ao longo dos próximos dez anos, o que permitiria ao país passar da actual décima posição mundial para o grupo das cinco maiores potências militares. De acordo com dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), o Japão gastou 62,2 mil milhões de dólares em defesa em 2025, o que representou 1,4% do PIB. A meta de 3,5% equivaleria a aproximadamente 134,5 mil milhões de euros, mais do dobro dos níveis actuais. A decisão ainda não está tomada, mas responsáveis japoneses já terão sinalizado aos Estados Unidos disponibilidade para um aumento significativo.
O reforço da despesa militar japonesa ocorre num contexto de crescente pressão norte-americana para que os aliados assumam maior responsabilidade pela sua própria defesa. A administração de Donald Trump tem pressionado os aliados asiáticos para aumentarem a sua contribuição para a defesa, enquanto Tóquio procura responder à crescente força militar da China e à ameaça representada pela Coreia do Norte. O Ministério da Defesa japonês pediu um orçamento recorde de 8,9 biliões de ienes (cerca de 51,6 mil milhões de euros) para o exercício de 2027, que inclui investimentos em inteligência artificial, drones e sistemas não tripulados.
O maior obstáculo ao plano de rearmamento é a elevada dívida pública japonesa, que se aproxima de duas vezes o tamanho da economia, sendo uma das mais elevadas entre os países desenvolvidos. O custo de financiamento está a aumentar rapidamente, com a yield das obrigações a dez anos a atingir 3,025%, o nível mais elevado em cerca de três décadas. Simultaneamente, o governo de Sanae Takaichi está a avançar com medidas de estímulo económico, incluindo a redução do imposto sobre o consumo de alimentos de 8% para 1%, o que provocará uma perda anual de receita de cerca de 29 mil milhões de euros.
O Banco do Japão está igualmente a subir as taxas de juro para controlar a inflação, o que agravará os custos de financiamento da dívida pública. Os economistas esperam que a taxa director seja elevada para 1,25%, seguindo-se uma trajectória que poderá levá-la a 1,75% no segundo trimestre de 2027. Esta situação cria um dilema para Tóquio, que enfrenta pressão de Washington para aumentar a despesa militar ao mesmo tempo que os mercados exigem disciplina orçamental. A questão torna-se ainda mais complexa porque o Japão está a discutir não apenas o aumento da despesa militar, mas também cortes de impostos, investimento estratégico e o financiamento de outras despesas públicas num ambiente de taxas de juro em subida.




