As anunciadas megacentrais solares na Beira Interior, promovidas pela multinacional britânica Lightsource BP, vão ter destinos diferentes após avaliações de impacte ambiental negativas. O projeto Sophia, que abrangia os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, foi reformulado após a comissão de avaliação coordenada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ter identificado "impactes negativos muito significativos" ao nível da paisagem, do solo, do ordenamento do território e da socioeconomia. O projeto Beira, previsto para os concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova, foi totalmente abandonado pela empresa.
Relativamente ao projeto Sophia, a capacidade instalada foi reduzida em 34%, passando de 867MWp para cerca de 573MWp. A área vedada diminui 32% e o número de núcleos vedados caiu de 44 para 22, uma redução de 50%. A nova proposta reduz a área ocupada nos concelhos de Penamacor e Idanha-a-Nova, elimina os quatro corredores de linhas aéreas de média tensão previstos e cerca de 70% da extensão da linha fica adjacente a linhas já existentes. O projeto retira-se completamente da zona com potencial de regadio futuro e reduz em 99% a intersecção com áreas da Reserva Ecológica Nacional.
A reformulação do projeto Sophia é acompanhada por um programa de benefícios partilhados com um investimento global superior a 20 milhões de euros, incluindo projetos de autoconsumo coletivo, apoio a famílias em situação de pobreza energética, formação e empregabilidade, prevenção de incêndios e valorização do turismo sustentável na Beira Baixa. Miguel Lobo, diretor-geral da Lightsource BP em Portugal, adiantou que a implementação está prevista para 2029 e que a empresa vai submeter a reformulação à APA até ao dia 02 de outubro.
Quanto ao projeto Beira, a Lightsource BP decidiu abandoná-lo após a APA ter chumbado o projeto em dezembro de 2025, identificando impactos negativos significativos ao nível dos sistemas ecológicos e do uso de solo. A central contemplava a instalação de 425.600 módulos fotovoltaicos com uma potência de 266MW numa área de 524,4 hectares. A empresa explicou que a análise das alterações necessárias demonstrou que não estavam reunidas condições de viabilidade financeira para prosseguir com o desenvolvimento de uma solução reformulada.




