A Euronext está disposta a avançar para uma fusão com a Deutsche Börse ou, pelo menos, para uma aproximação das respetivas atividades de bolsa. A abertura foi feita pelo CEO Stéphane Boujnah numa entrevista ao "Financial Times", avançada esta segunda-feira. Boujnah não descartou uma fusão total entre os dois grupos, mas reconheceu que tal operação enfrentaria "obstáculos regulatórios significativos". O CEO defende a união dos negócios de exchanges para criar sinergias entre os mercados acionistas europeus, argumentando que o mercado acionista alemão é raso enquanto o da Euronext é profundo, e que um mercado único poderia servir as três maiores economias da Europa — Alemanha, França e Itália.
A ideia não é nova. Há décadas que se fala numa união das duas operadoras, mas as tentativas anteriores falharam: a Deutsche Börse retirou uma proposta em 2006 e uma fusão foi bloqueada pela Comissão Europeia em 2012 por questões de concorrência. Em 2023, os líderes das duas empresas discutiram a criação de uma joint venture para listagens europeias, numa tentativa de competir com os Estados Unidos.
Por agora, não há negociações em curso. A própria Deutsche Börse esclareceu que não existem conversações sobre uma eventual fusão e reforçou o compromisso com o seu projeto de ecossistema de capitais europeu, construído ao longo de mais de duas décadas. O "big bang" completo parece distante, sendo o cenário mais realista uma parceria parcial ou uma joint venture entre as bolsas.
Os desafios a superar incluem questões políticas, regulatórias e os receios de acionistas públicos como o CDP italiano ou a Caisse des Dépôts francesa. Boujnah lançou o assunto para cima da mesa e, agora, a atenção está voltada para Frankfurt.




