Maria João Vasconcelos, de 37 anos, aceitou pela segunda vez o desafio de liderar a Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora da Bonança. No ano passado, assumiu a presidência para homenagem ao avô, que também organizou a festa e morreu dois anos antes. Este ano, foi o primo quem a desafiou a continuar, mantendo viva uma tradição familiar que atravessa gerações.
A ligação de Maria à Senhora da Bonança está intimamente ligada à história da própria família, maioritariamente dedicada à pesca. "Tenho mesmo uma grande devoção à Senhora da Bonança porque ela é a protetora dos homens do mar", explicou. Na procissão naval deste ano, a irmã de Maria ajudou a carregar um dos andores, o que considerou ser "um orgulho ver a família unida num dos momentos mais importantes para a comunidade piscatória".
Este ano, a comissão decidiu ainda convidar a Senhora d'Agonia, de Caminha, para se juntar à Senhora da Bonança e à Senhora da Ínsua, criando uma ligação entre duas comunidades piscatórias. Maria revelou que gostaria de ver a tradição prolongada na próxima geração, antecipando que "pode ser que a minha sobrinha seja devota como nós e que faça a festa como nós".
Organizar as festas apresenta, contudo, desafios significativos. Maria admitiu que é "muito difícil" devido aos custos crescentes e à pressão que surge quando "por uma simples falha, as pessoas apontam o dedo". Apesar do desgaste, garante que a festa continua a ser "muito especial" e que o esforço compensa quando vê a família e a comunidade unidas em torno desta tradição.




