A psicóloga Roser Gort, colaboradora da Clínica do Sono Estivill em Espanha, explicou numa entrevista ao portal Infosalus que sonhar com situações contrárias aos próprios valores não significa que se queira concretizá-las. Segundo a especialista, o cérebro pode construir cenários que envolvem infidelidade ou outras ações problemáticas, incluindo as emoções e reações associadas, mas essa experiência durante o sono não equivale a uma intenção consciente.
Gort descreve os sonhos como um espaço onde se misturam recordações, emoções, medos, desejos e experiências recentes, com menor intervenção da lógica. Para ilustrar, refere que sonhar com o roubo de um carro e perseguição pela polícia não indica qualquer plano de o fazer, mas antes uma espécie de experiência mental de tentativa e erro que permite explorar possibilidades e emoções associadas.
A especialista relaciona a falta de lógica de alguns sonhos com alterações na atividade do córtex pré-frontal durante o sono, região cerebral envolvida no planeamento e na tomada de decisões. Nesse contexto, podem surgir mudanças repentinas de cenário ou comportamentos estranhos que não devem ser interpretados automaticamente como mensagens escondidas.
O Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos refere que os cientistas ainda não sabem ao certo porque sonhamos, embora os sonhos tendam a ser mais vívidos durante o sono REM. Gort conclui que sonhar com determinada ação não demonstra que a pessoa queira praticá-la, sublinhando o caráter automático e involuntário destas experiências.




