Ricardo Teixeira, CEO da Compuworks, foi o 95.º convidado do podcast "E Se Corre Bem?", iniciativa do ECO apresentada por Diogo Agostinho. O empresário revelou que o sonho de ser empresário esteve presente desde criança, tendo aos 13 anos montado uma skate & surf shop com faturação anual de 25 mil euros. Apesar de ter ficado tetraplégico, encontrou na tecnologia um refúgio e, apenas dois anos depois de descobrir o Windows, começou a trabalhar na Microsoft a dar suporte ao Windows 98, considerando esta uma "escola extraordinária".
Durante o período em que esteve na Microsoft, Teixeira trabalhava durante o dia em regime de teletrabalho e, durante a noite, dedicava-se à sua própria empresa com cinco funcionários. Acabou por tomar a decisão de deixar a Microsoft para se dedicar ao seu projeto, tendo-se mudado para Lisboa, onde pagava mais de quatro mil euros de espaço e aumentou a equipa para 20 pessoas. Segundo revelou, houve muitos meses em que não recebeu salário, mas nunca deixou de pagar os salários aos funcionários.
Em 2002, fundou a Compuworks com o objetivo de informatizar as PME portuguesas, um setor que identificou como maioritariamente não informatizado. Atualmente, a empresa mantém-se ativa face aos novos desafios tecnológicos que os gestores enfrentam. No entanto, Teixeira manifestou críticas ao ambiente empresarial em Portugal, afirmando: "Acho que este país não trata bem nenhum empresário" e que, se soubesse o que sabe hoje, não teria aberto nenhuma empresa, referindo que as empresas pagam impostos antes mesmo de receber e que resultados positivos não significam liquidez.
Apesar das dificuldades, Teixeira mantém-se ativo aos 67 anos, trabalhando sete dias por semana sem horários fixos, considerando o seu maior luxo poder trabalhar ao seu próprio ritmo. Dedica um dia por semana à área financeira e um dia por mês a almoçar com a equipa para falar sobre a empresa e conectar-se com os colaboradores. Defendeu ainda que é mais fácil hoje encontrar investimento do que na sua juventude, devido à existência de business angels e à possibilidade de aceder a outros mercados.




