Nos mercados financeiros, desistir de um investimento continua a ser visto como um sinal de fracasso ou fraqueza, em contraste com a persistência, que é associada a caráter e resiliência. No entanto, o artigo argumenta que esta associação está profundamente enraizada, mas é pouco útil quando aplicada às decisões de investimento, pois insistir nem sempre é uma virtude e pode ser apenas uma forma de adiar o reconhecimento de que uma decisão tomada no passado deixou de fazer sentido.
O artigo destaca que manter uma posição apenas porque um dia fez sentido não constitui, por si só, uma estratégia. As empresas mudam, os setores perdem dinamismo, surgem novos concorrentes ou aparecem riscos que não eram evidentes no momento da compra. A fronteira entre convicção e teimosia raramente é clara quando uma decisão está a ser posta à prova. Daniel Kahneman é mencionado por ter ajudado a explicar o comportamento dos investidores através do conceito de aversão à perda, segundo o qual a dor provocada por uma perda é bastante superior à satisfação proporcionada por um ganho equivalente.
Um dos padrões mais frequentes entre investidores menos experientes passa por realizar os ganhos demasiado cedo, enquanto as perdas permanecem em carteira durante demasiado tempo. A resistência em vender está ligada ao efeito dos custos irrecuperáveis, pois o tempo, o dinheiro e o esforço já investidos influenciam decisões que deveriam depender apenas das perspetivas futuras. O mercado é indiferente ao preço de compra, às horas dedicadas à análise ou ao grau de convicção de quem investiu.
Annie Duke é citada pelo seu livro "Quit", no qual defende que o passado explica porque foi tomada uma decisão, mas não deve determinar a seguinte. Os investidores mais consistentes não são os que nunca erram, mas os que reconhecem rapidamente que nenhuma análise é infalível e que nenhuma tese de investimento permanece válida para sempre. A persistência continua a ser uma qualidade indispensável para quem investe, mas a dificuldade está em perceber quando continua a ser justificada e quando serve apenas como pretexto para adiar uma decisão inevitável.




