A TAP vendeu a participação de 49,9% que detinha na Sociedade Portuguesa de Handling (SPdH), conhecida como Groundforce, à britânica Menzies Aviation por apenas um euro. A transação foi concretizada em 11 de junho de 2026, tendo o valor simbólico sido justificado por avaliações técnicas independentes que refletiram a situação patrimonial da empresa e o enquadramento dos novos contratos de assistência em escala negociados entre as partes. A Menzies, que já era dona dos restantes 50,1% adquiridos no âmbito do Plano de Insolvência homologado em junho de 2024, ficou assim com a totalidade do capital da empresa que presta serviços nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo.
A TAP tinha adquirido esta participação em 2024, através da conversão de 2,49 milhões de euros em dívida da SPdH em capital. Na altura, a companhia aérea já atribuía à sua posição um justo valor negativo de 14,7 milhões de euros, o que gerou um goodwill positivo de 17,2 milhões posteriormente reduzido a zero no exercício de 2024. A venda por um euro não implicou, por isso, o registo de qualquer imparidade adicional. A operação recebeu luz verde do Tribunal de Contas em junho de 2026.
As contas entre a TAP e a empresa de handling ainda não estão completamente saldadas. A companhia aérea tem a receber um total de 25,6 milhões de euros, incluindo 13 milhões em créditos antigos renegociados com um novo prazo de pagamento previsto para 31 de dezembro de 2030, com uma taxa de juro anual efetiva de 6,6%. Há ainda 12,3 milhões relativos a ganhos de escala e penalizações do contrato de prestação de serviços, dos quais quatro milhões devem ser pagos ainda este ano. O conselho de administração da TAP, liderado por Carlos Oliveira, considera que a recuperação destes valores não está em causa, dado que a Menzies está bem posicionada para obter a revalidação das licenças de handling após a exclusão do consórcio espanhol Clece/South do concurso.
A insolvência da SPdH foi pedida pela própria TAP e declarada em agosto de 2021, após conflitos com o anterior acionista maioritário, a Pasogal de Alfredo Casimiro. A venda da participação da TAP foi um dos compromissos assumidos no âmbito do Plano de Restruturação acordado com a Comissão Europeia em dezembro de 2021, que viabilizou a injeção de 2,55 mil milhões de euros na companhia aérea. Esta operação, juntamente com a venda da Cateringpor, permitiu encerrar o dossiê junto de Bruxelas.




